Secretário de Estado das Comunidades escreveu sobre política internacional para o semanário fundado por Paulo Portas antes de ganhar a Câmara de Baião e dominar o PS-Porto
Paulo Portas abandonara há pouco tempo a direção do semanário ‘O Independente’,
"Não era um repórter", diz quem com ele trabalhou em meados dos anos 90, mas o conhecimento da realidade da África lusófona distinguiu-o entre a ‘leva’ de professores da Universidade Lusíada que começou a escrever para o semanário. Embora tenha ficado sempre claro que José Luís Carneiro, melhor aluno do seu ano no curso de Relações Internacionais, começando logo a dar aulas, estava à esquerda dos seus colegas Vasco Rato e João Marques de Almeida.
Era já militante assumido do PS, integrando grupos de reflexão política em Baião antes de ter o diploma, o que não impediu a passagem pelo semanário que refundou a direita portuguesa de um guterrista "moderado e católico", conhecido pelos textos, simpatia e sotaque próprio de quem nasceu e cresceu na vila que pertence ao distrito do Porto mas fica perto do Marão.
Nas autárquicas de 1997, foi o número dois do PS em Baião, ficando vereador sem pelouro. E deu o passo decisivo para a política. Eleito presidente da concelhia socialista, foi assessor para questões da imigração de Manuel Diogo, secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, entre 1999 e 2000. Seguiu-se, até 2002, a chefia de gabinete do Grupo Parlamentar, então liderado por Francisco Assis, outro moderado do PS.
Cacique e Marshall
A dissolução da Assembleia da República em 2005 devolveu-o a São Bento, já deputado pelo círculo do Porto, integrando a Comissão dos Negócios Estrangeiros. Só até outubro, mês em que "o crânio que deixava copiar", como lhe chamavam os colegas de escola, foi eleito pela primeira de três vezes presidente da Câmara de Baião.
Além de gerir o município em que mantém uma popularidade visível nos elogios que recebe até no pouco concorrido grupo de Facebook ‘José Luís Carneiro traiu os baionenses’, ganhou à segunda tentativa a poderosa Federação do Porto em 2012, e a presidência da Associação Nacional de Autarcas do PS dois anos depois. Nesses cargos, conciliou as facetas de "supertrabalhador" e de "cacique hipercontrolador", responsável pelo "resultado quase norte-coreano" de António José Seguro em Baião nas diretas ganhas por António Costa.
Mesmo assim, o ex-autarca, casado e com dois filhos, foi uma surpresa deste Governo, muito visível após o atentado de Barcelona. Tutela uma área que domina, ou não tivesse sido ‘Grand Marshall’ nas Comemorações do Dia de Portugal em New Jersey (EUA) de 2009.
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