Dizem os especialistas que os sentidos também curam. Assim sendo, a música torna-se uma importante ferramenta terapêutica, um caminho para conseguir o bem-estar do corpo e da alma.
Tranquilizante, analgésica, relaxante. É assim a música. O som invade o organismo provocando uma sensação de bem-estar. As notas libertam-se da rigidez da pauta e unem-se em melodias que, para além de aprazíveis à alma, conseguem tratar o corpo. “A música pode ter efeitos positivos quase expontâneos em certas condições, mas pode ser também uma importante ferramenta terapêutica”, confirma Teresa Leite, presidente da Associação Portuguesa de Musicoterapia.
A história deste tratamento em Portugal, onde existem apenas entre 16 a 20 pessoas com formação específica, escreve-se em poucas páginas. Os primeiros trabalhos nesta área foram direccionados a um público específico, os portadores de deficiência, mas rapidamente os seus efeitos positivos foram aproveitados para ajudar outros. “A música torna-se uma forma alternativa de comunicar e já há hospitais psiquiátricos interessados, e centros de idosos que nos solicitam ajuda”, afirma Teresa Leite.
Mas o poder da música não se fica por aqui. Para o corpo castigado pela doença, o ritmo, som e melodia podem, em alguns casos, funcionar como um bálsamo. É o que provam os estudos feitos nesta área. Da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, chega a notícia que os solos de violino podem eliminar dores de cabeça e diminuir as enxaquecas. Em Cambridge, no Massachusets, um dentista realizou centenas de obturações e outras tantas extracções sem recorrer a anestesias. O medicamento que usou foi... a música em forma de terapia. “Doentes do foro oncológico, pessoas internadas nos hospitais com problemáticas graves, para estas, a música ajuda a gerir a ansiedade, a relaxar e torna-se uma forma mais leve de apoio, fazendo com que a pessoa se liberte”, acrescenta Teresa Leite.
Qualquer que seja a idade, os benefícios da música, esses, mantêm-se. “Mesmo para as crianças sem deficiência aparente, a musicoterapia pode ter efeitos muito positivos”, refere Eduarda Carvalho, musicoterapeuta. “Ela é uma boa forma de proporcionar o desenvolvimento dos afectos, da expressão emocional, beneficiando o aumento da auto--estima.”
Sintomas de depressão, hiperactividade, dificuldades na aprendizagem, na gestão dos afectos, estes são apenas alguns dos problemas que a música ajuda a resolver nos mais jovens. Em sessões que privilegiam a produção musical, proporcionando a criação de melodias, a música permite às vítimas de maus tratos, de abusos físicos ou psicológicos, aos autistas, ou simplesmente aos indisciplinados “estar em relação com alguém sem ser passivo”, refere Teresa Leite. “Podem descarregar energias e trabalhar as competências de comportamento de forma mais permissiva e criativa.”
Há muito que o poder da música é conhecido pela Ave Cooperativa de Intervenção Psico-social (ACIP), uma instituição de Joane, Vila Nova de Famalicão. Os resultados obtidos em países como Inglaterra, Espanha ou Estados Unidos levaram a arriscar usar esta forma de terapia desde 1999, quando abriu as suas portas, na área da reabilitação, em crianças com necessidades especiais. Depois dos resultados descritos como “fantásticos” pela directora da ACIP, Teresa Silva Dias, a instituição disponibiliza agora sessões de musicoterapia para recém-nascidos. “O objectivo é estimular a aprendizagem das crianças através da música e sensibilizar os pais para os estados de desenvolvimento”, explica.
São ainda poucas as instituições a seguir o exemplo. Para quem pretende usar o som como terapia, Eduarda Carvalho deixa um alerta. “A música é uma arma perigosa, que pode ser nociva quando não se conseguem controlar os efeitos que provoca.” Como qualquer medicamento, a sua administração deve ter conta, peso e medida. Teresa Leite concorda. “Para quem trabalha na área, não basta saber música. É preciso formação terapêutica ou então é impossível fazer frente aos problemas das pessoas”
UMA TÉCNICA COM MILHARES DE ANOS
O potencial da música para auxiliar na resolução de problemas de ordem física e psicológica é reconhecido há milhares de anos. No entanto, foi no início do século XX que os efeitos terapêuticos da música ganharam maior força nos hospitais, invadidos pelos combatentes das primeira e segunda Grande Guerra. Através das enfermeiras, a terapia pela música tornou-se uma ferramenta importante para o tratamento físico e psicológico dos veteranos de guerra. Na mesma altura nascia a Associação Nacional de Música nos Hospitais, uma ideia da enfermeira Isa Maud Ilsen, que considerava a música como um caminho para aliviar a dor em pacientes com diferentes patologias.
ASCLÉPIO: deus da Medicina, tratava os seus doentes fazendo-os ouvir cânticos considerados mágicos.
HOMERO: escritor grego, dizia que a música alegrava a alma e apaziguava as perturbações do corpo.
DEMÓCRITO: filósofo grego, afirmava que o som da flauta conseguia combater os efeitos da picada das serpentes venenosas.
A música não tem a forma de um xarope ou comprimido. Mas bastam algumas notas combinadas para criar o efeito de um autêntico bálsamo.
ALÍVIO PARA O CORPO
A música pode promover o relaxamento muscular. Ao mesmo tempo, tem a capacidade de aliviar a dor crónica, a ansiedade e a depressão. Consoante o ritmo, facilita ainda a participação em diversas actividades físicas, de acordo com as possibilidades de cada um.
REMÉDIO PARA O ESPÍRITO
O som certo pode ser meio caminho para conseguir expressar verbalmente aquilo que o receio obriga, muitas vezes, a deixar escondido. Situações importantes do passado são recordadas com o auxílio da música, que tem ainda a capacidade de favorecer a fantasia e o sonho.
FONTE DE PRAZER
As diferenças culturais e o isolamento podem aproximar-se com recurso à música, uma ponte capaz de unir o que é diferente e aproximar o que está distante. Ao mesmo tempo, promove a participação em grupo, já para não esquecer uma outra função importante: a de entretenimento.
PARA ALÉM DO RACIONAL
Auxílio na expressão de raiva, medo, dúvidas e questões relacionadas com o significado da vida e o seu fim. É assim a música. Dizem os especialistas que é ainda capaz de facilitar a expressão de sentimentos espirituais, promovendo um conforto que nada tem a ver com o racional.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.