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Nas últimas décadas, o número de diplomados cresceu de forma expressiva, aproximando o país da média da União Europeia e alterando o perfil das novas gerações
Hoje, entre os 25 e os 34 anos, 43% dos portugueses têm formação superior, uma mudança significativa face aos 11% de 1998. Os dados são do estudo 'O Ensino Superior e o Emprego Jovem em Portugal', da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que traça um retrato da evolução das qualificações e do impacto económico da formação académica. Em média, licenciados ganham mais 27% do que trabalhadores com apenas o ensino secundário e quem conclui um mestrado recebe 49% acima desse nível. Segundo o estudo, por cada euro investido na formação superior, o retorno económico ao longo da vida é de cerca de 13,7 euros, um valor 68% superior à média da União Europeia.
Mas a experiência académica vai além dos números. Em cursos das áreas STEM, Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, a aprendizagem prática assume um papel central. Há estudantes que investigam microrganismos em laboratório, desenvolvem drones capazes de transportar cargas elevadas ou criam tecnologias para detetar falhas em materiais avançados. Francisco Bolinhas é responsável por um desses projetos. O estudante do Mestrado de Engenharia Mecânica na NOVA FCT desenvolveu uma tecnologia para identificar defeitos em cabos de fibra de carbono utilizados em veículos náuticos de alta performance, sem necessidade de desmontagem. “Eu vim mesmo ao que gosto”, afirma, explicando que passava horas “na garagem a montar e desmontar coisas”.
Também na área das ciências biológicas, o contacto com o laboratório é visto como essencial. Marta Campos, estudante de Biologia Celular e Molecular, considera que “as técnicas só entram quando estamos a fazer”. A ideia é reforçada pelo Presidente do Departamento de Engenharia Mecânica e Industrial, Telmo Santos, que defende que experimentar diferencia a aprendizagem.
No entanto, o acesso ao ensino superior continua marcado por desigualdades sociais e o contexto familiar influencia o percurso académico dos jovens. Segundo o estudo da FFMS, 47% dos estudantes cujos pais não têm formação superior seguem o ensino profissional, enquanto nos jovens com, pelo menos, um progenitor diplomado essa percentagem é de 20%. Para Pedro Reis, autor do estudo, o desafio é “encontrar equilíbrio nas políticas públicas, nas bolsas e nas propinas” relembrando que “todos devem ter o direito de poder escolher o ensino superior”. O autor lembra que “existem também benefícios coletivos: trabalhadores mais qualificados aumentam a produtividade e geram impacto positivo na sociedade.”
Entre sonhos de investigação científica, carreiras internacionais e projetos inovadores, os estudantes portugueses são uma geração mais qualificada. Ainda assim, o ensino superior levanta novas exigências: garantir igualdade no acesso e adaptar os cursos às necessidades de um mundo em constante transformação.
O aumento da temperatura do ar influencia o nível do mar e torna mais frequentes fenómenos extremos como secas e cheias. Em Portugal continental, 2025 foi o 5.º ano mais quente desde 1931.
Temperatura média anual de Portugal continental
O aumento da temperatura do ar influencia o nível do mar e torna mais frequentes fenómenos extremos como secas e cheias. Em Portugal continental, 2025 foi o 5.º ano mais quente desde 1931.
Temperatura máxima do ar em Portugal continental (média)
A tendência de aquecimento é igualmente visível nas temperaturas máximas (em média). 2025 registou a 4.ª temperatura máxima de ar mais alta desde 1931. Entre 1960 e meados de 1990, só em 3 anos a temperatura máxima superou os 21,14°C (média entre 1991-2020). Desde então, já se registaram quase 20 anos com temperaturas máximas superiores a esse valor.
Ensino superior: muito feito, mas é preciso mais ambição
Luís Catela Nunes; Professor; Centro de Economia da Educação da Nova SBE
Portugal tem hoje a geração jovem mais qualificada de sempre: entre os 25 e os 34 anos, a percentagem com ensino superior subiu de 11% em 1998 para 43% em 2024. A aproximação à média da UE (44%) é um marco; ainda assim, há caminho a fazer: Espanha e França estão nos 53% e a Irlanda nos 65%. Se queremos ganhar terreno, num momento em que outros países também investem nas qualificações, o progresso tem de continuar.
Há razões fortes para isso: em média, por cada euro que um estudante investe no ensino superior, o ganho ao longo da vida é de 14 euros, 68% acima da média europeia. E vê se cedo: aos 23–26 anos, as empresas pagam mais 28% aos licenciados e mais 49% aos mestres do que a quem ficou pelo secundário.
Mas há vários desafios. Os custos diretos pesam no orçamento de muitas famílias, exigindo apoios para quem tem potencial mas enfrenta restrições financeiras. O financiamento das instituições também está sob pressão: Portugal gasta 35% menos por estudante do que a média da UE e as famílias suportam 30% (na UE, 13%). Além disso, faltam dados curso a curso sobre emprego e salários, no superior e no secundário professional.
Num mundo em rápida mudança, a ambição exige equidade no acesso, qualidade e diversidade dos cursos, e informação que permita aos estudantes fazer escolhas mais informadas sobre os seus percursos educativos e profissionais.
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