O Pokémon Go tem uma legião de fãs mas também milhares de detractores.
Qual é a maior histeria que por aí vai: o Pokémon Go ou o ódio que suscita? De facto, o fenómeno do jogo parece mais interessante pelas opiniões apaixonadas que tem estimulado do que pelo jogo propriamente dito. Afinal, os jogos são parte integrante de todas as culturas e, defendem alguns, são até ponto de partida para atividades complexas como a arte ou a filosofia. Certo é que o jogo, a brincadeira, o lúdico são a porta de entrada da criança na cultura. É a brincar e no faz-de-conta que se dá uma grande fatia da socialização, que se aprendem papéis, regras, competências. Na idade adulta, o jogo – seja o jogo da malha, damas, futebol de solteiros contra casados ou jogos florais - sempre serviu para reforçar laços coletivos e aumentar a coesão social. Daí as festas populares sazonais, por exemplo, invariavelmente ritmadas pelos jogos, nos quais é muito comum encontrar-se um elemento espiritual. Claro que o jogo, seja ele qual for – xadrez ou a feijões –, tem sempre o poder de transferir os participantes, por um certo período, para um outro mundo que não o da vida quotidiana.
A caça
O Pokémon Go não parece muito diferente: mistura fantasia com realidade, tem ganhos (número de pokémons) que conferem condicionamento psicológico básico e lealdade ao jogo e, no limite, possui até um elemento religioso, posto que os bonequinhos do Pokémon são inspirados na mitologia japonesa, no xintoísmo, com o seu animismo e crença na encarnação dos deuses na natureza. Depois, os pokémons têm 20 anos. Ou seja, é animação com raízes firmadas, um culto, e muitos adultos que jogam fazem-no com um travo a nostalgia, sendo que a sua expressão estimula sentimentos de otimismo e criatividade. Enfim, é isto – o jogo tem esse paradoxo de promover a socialização oferecendo uma certa alienação e o Pokémon Go, com a sua imensa comunidade de fãs em interação, não é exceção. Era Chesterton que dizia que quando somos crianças não precisamos de contos de fadas. Só os contos chegam porque a vida é, então, suficientemente espantosa. É quando crescemos que passamos a precisar desse elemento porque a vida deixa de ser assim tão feérica e surpreendente.
Contudo, parece que cada vez que chega um novo jogo à nossa sociedade – Grand Theft Auto, Warcraft, Angry Birds – logo um coro apocalíptico se levanta. Dizem essas vozes que estas gerações são uns bebés grandes, que chegou a infantilização da sociedade, que está tudo louco. Claro que, para esses, no seu tempo é que era bom, alimentando um cliché sobre as gerações em que, invariavelmente, a anterior era melhor. Não lhes ocorre que os avós disseram os mesmos sobre os seus jogos. Muito menos lhes passará pela cabeça o moralismo atávico e um certo odor a ódio à humanidade que perpassa nessa crítica tão raivosa.
Há uns que andam à caça de bonecos, meio dispersos e quase zombies. São eles mesmos ‘pocket monsters’.
E depois há outros que odeiam os primeiros, os vexam e humilham à primeira oportunidade, são misantropos, arrogantes e pretensiosos. São só ‘monsters’.
cinema
‘Jason Bourne’
O JB dos tempos modernos vai regressar. E ainda bem. Ele é o herói contemporâneo que melhor retrata a desconfiança dos cidadãos perante os governos, o seu desrespeito pela privacidade, a sociedade que quan- to mais se globaliza mais se fragmenta.
realizador Paul Greengrass
intérpretes Alicia Vikander, Matt Damon, Julia Stiles, Tommy Lee Jones, Vincent Cassel, Alexander Cooper
exibição cinemas
‘Histórias de bairro’
A interpretação é excelente e as histórias muito ternas e espirituosas. Em três pinceladas, aparecem personagens com alma e depressões pouco burguesas. O ambiente do subúrbio urbano é bem encapsulado, mas sem lamechices ou romantizações.
Realizador Samuel Benchetrit
intérpretes Isabelle Huppert, Gustave Kervern, Valeria Bruni Tedeschi, Tassadit Mandi, Michael Pitt
exibição cinemas (4 de agosto)
‘Hitchcock/Truffaut ’
Quem gosta de cinema, de um ou de ambos os realizadores, quem se pela por uma boa con-versa e por inteli-gência não pode perder esta pequena joia. Acessível, curto, envolvente, eis um documentário-homenagem ao homem que "escrevia com a câmara".
realizador Kent Jones
Género Documentário
exibição cinemas (4 de Agosto)
‘Experi-menter’
Nos anos 60, o psicólogo Stanley Milgram conduziu uma das experiências mais fascinantes sobre o comportamento humano concluindo que a esmagadora maioria das pessoas obedece cegamente à autoridade. Não importa se a mesma é razoável ou justa. Um filme sobre esta questão podia ser igualmente fascinante, mas a coisa não passa do pretensioso e moraloide.
realizador Michael Almereyda intérpretes Winona Ryder, Peter Sarsgaard
exibição cinemas
(4 de Agosto)
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