30 anos à procura de ouro
"A procura de ouro é um filme com mais de 30 anos nesta mina. Agora é só mais uma tentativa. Sabemos que há minério. Resta saber se desta vez é para valer", disse ao CM com algum cepticismo Jacinto Sousa, arrendatário das terras da Herdade da Chaminé, na freguesia da Boa Fé, Évora, considerado o epicentro da prospecção do material precioso no Alentejo, metal que ontem estava cotado nos mercados internacionais a 1229 euros por onça (31,1 gramas).
Tudo começou no início da década de 80 com várias multinacionais a passarem pelo local, entre as quais a Rio Tinto, que na semana passada mostrou interesse nas minas de Moncorvo para extracção de ferro. Nunca os projectos passaram da fase de estudos. Iberian Resources, Rio Nacera Gold Mines e Kernow Resources foram algumas das empresas interessadas nos solos da serra do Monfurado, entre Évora e Montemor--o-Novo.
Desta vez, a licença de prospecção de ouro que vai ser atribuída ao consórcio canadiano Colt Resources e à Iberian Resources (empresa australiana), tem a duração de três anos, período após o qual, confirmando--se a viabilidade do projecto, entrará em fase de exploração.
O contrato, que prevê um investimento na protecção de três milhões de euros, será assinado dia 2 de Novembro com o Ministério da Economia e dará, ao que tudo indica nova vida à Mina da Boa Fé. A mina está desactivada desde Outubro de 2008, na sequência da insolvência da Iberian Resources que, na altura, já fazia a prospecção de ouro. Esses trabalhos serão retomados em 2012.
A falência do principal investidor do projecto, a Tamaya Resources, levou a Iberian Resources a accionar a venda dos activos que detém em Portugal, como o contrato de licenciamento daquela mina e de prospecção nas regiões de Portalegre e da Régua.
A entrada em exploração, que não chegou a ocorrer, esteve prevista para 2009 quando os estudos apontavam para uma mina viável por 15 anos. Os estudos efectuados pela empresa ao longo de trinta quilómetros previam uma extracção de duas toneladas de ouro por ano, sendo que as terras do Monfurado indicavam uma presença dois gramas de ouro por cada tonelada de solo.
RESERVAS DE URÂNIO
Portugal possui reservas de urânio importantes, nas áreas de Viseu e Portalegre. A exploração na Urgeiriça (Nelas) terminou, por fecho da empresa, em 1993.
GRANITO, XISTO E MÁRMORE
O Alentejo é a região do País com maior produção de rochas ornamentais, principalmente mármores e granitos. Xistos e calcários também são explorados.
VOLFRÂMIO E COBRE LIDERAM
As minas mais importantes em Portugal são de volfrâmio, na Covilhã, e de cobre, em Neves Corvo, Castro Verde. Esta é a maior mina de cobre na União Europeia.
JALES PODE REABRIR VINTE ANOS DEPOIS
As minas de Jales, na Gralheira, em Vila Pouca de Aguiar, encerradas há quase vinte anos, voltam a ser alvo do interesse de diversas empresas mineiras, nomeadamente canadianas, levando as autoridades locais a prever que a exploração de ouro seja retomada em breve.
Ao que o CM apurou, os canadianos da Kernow Mining, tencionam investir cerca de 100 mil euros em novas prospecções no território nacional, nomeadamente onde haja antigas minas de ouro, e admitem poder vir a investir mais de 15 milhões de euros nesta zona de Trás-os-Montes, onde identificaram um potencial de 14 toneladas de ouro.
As minas de Jales foram desactivadas em 1992 devido à descida, na altura, da cotação do ouro e à degradação dos equipamentos. Além de Jales, estão em estudo, em Trás-os-Montes, as minas romanas de Tresminas, também em Vila Pouca de Aguiar, e as antigas minas de Boticas, onde se supõe a existência de uma jazida de sete toneladas de ouro.
MINAS DE BANJAS SEM ESPERANÇA
Foram minas de ouro desde os Romanos até ao século XIX e têm despertado interesse, mas em Banjas, Paredes, poucos acreditam no regresso da exploração.
DO VOLFRÂMIO AO OURO EM CERVEIRA
As antigas minas de volfrâmio de Covas, em Cerveira, podem reabrir, mas agora para a exploração de ouro. Há, na zona, dez gramas de ouro por tonelada de inertes.
MINA TRAVADA POR RAZÕES AMBIENTAIS
Em finais da década de 90, a exploração de ouro, nas minas de Castromil, Paredes, foi travada por questões ambientais. A jazida compensava o investimento.
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