Abdool Vakil quis comprar o Efisa
O ex-presidente do Efisa que foi demitido da gestão do banco, Abdool Vakil, fez contactos junto da administração da CGD para a compra da instituição, isto apesar de este banco estar praticamente falido. Ao que o CM apurou, o banqueiro nunca concretizou nenhuma oferta de compra.
Mário Gaspar, ex-gestor do BPN e administrador demissionário da Parvalorem – sociedade que agrupa os maus créditos do BPN – confirmou na comissão parlamentar de inquérito ao BPN que Abdool Vakil contactou a administração da CGD no sentido de comprar o Efisa, adiantando que "essa matéria foi discutida na administração da CGD juntamente com o dr. Francisco Bandeira e o dr. Norberto Rosa".
Segundo aquele responsável, a situação do banco "era muito difícil". "O Efisa tinha capitais próprios negativos, era um banco falido", sublinhou Mário Gaspar, reconhecendo que para cumprir os níveis de capital exigidos pelo Banco de Portugal o comprador teria de gastar, pelo menos, 17,5 milhões de euros.
O administrador da Parvalorem confirmou também que as irregularidades na gestão do Efisa motivaram uma queixa ao Ministério Público e ao regulador. "Os relatórios sobre o Efisa revelaram comportamentos e anomalias que fizeram com que a administração do BPN participasse às autoridades, incluindo o Banco de Portugal", detalhou. De acordo com Mário Gaspar, já foram transferidos do Efisa para a Parvalorem créditos incobráveis de 126 milhões. Ainda assim, "as contas mostram um banco deficitário" que está "inactivo". "Em 2010, raramente havia uma operação", disse.
Sobre os créditos transferidos pela Parvalorem, Mário Gaspar reconheceu que "a perspectiva de recuperação é lenta" e que o facto de a Parvalorem não estar associada a uma instituição de crédito torna o processo menos eficaz. "Para recuperar crédito é necessário dar crédito."
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt