Burocracia trava investimento inglês
"O aparelho burocrático de Portugal não parece ser de um país da Europa, mas sim de África”. Foi este argumento que um empresário inglês utilizou para justificar a desistência da compra de 50 por cento do capital social da empresa de confecções DressUomo, de Castelo Branco, que está fechada desde Junho de 2004.
O empresário apresentou a proposta de compra depois de estabelecidos os acordos com o IAPMEI, a Segurança Social e os bancos no que dizia respeito à regularização da situação da empresa e das trabalhadoras. O processo desenrolou-se com normalidade mas ficou parado no IAPMEI devido à falta de uma assinatura do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social.
O empresário ainda realizou a escritura de aquisição do capital social mas acabou por desistir do negócio devido à morosidade do processo. “O Governo português demorou demasiado tempo para resolver um processo que é de simples resolução”, alegou o britânico.
Devido a esta situação, as 150 trabalhadoras da empresa que têm os seus contratos de trabalho suspensos ao abrigo da Lei dos salários em atraso manifestaram-se ontem nas ruas de Castelo Branco. Lembraram toda a história do impasse da fábrica que apenas tem conhecido sucessivos adiamentos da sua reabertura. Apontam ainda o dedo ao Governo, a quem acusam “de cometer um crime contra a região, as empresas, o emprego e as finanças públicas”.
Luís Garra, do Sindicato dos Têxteis da Beira Baixa, é duro nas críticas: “Este caso é esclarecedor da burocracia, demora, passividade e laxismo com que o Governo actua nestas situações. A Segurança Social perde 87 mil euros por cada mês que esta fábrica está fechada”, disse o sindicalista.
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