Católica revê em baixa previsão de crescimento do PIB para 1,8% este ano
Abrandamento do mercado de trabalho, da população ativa e das exportações explica crescimento modesto da economia, dizem especialistas.
O Núcleo de Estudos Económicos da Universidade Católica (NECEP) estima que a economia portuguesa tenha crescido 1,9% em 2025 e reviu em baixa a previsão de crescimento para este ano e 2027, respetivamente para 1,8% e 1,6%.
Na síntese da folha trimestral de conjuntura relativa ao quarto trimestre de 2025, divulgada esta segunda-feira, os economistas do Católica-Lisbon Forecasting Lab -- NECEP referem que "o ponto central" da estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 "foi revisto em ligeira baixa (-0,2 pontos percentuais) para 1,8%, na sequência do impacto esperado com o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em meados do ano".
Salientam que "este efeito será ainda mais intenso em 2027, o que suscitou uma revisão da anterior estimativa de 2,2% para 1,6% (-0,6 pontos percentuais)".
O NECEP avança ainda com uma primeira estimativa de 1,9% para 2028, que diz estar "mais alinhada com o crescimento tendencial da economia portuguesa".
No conjunto do ano 2025, o PIB português terá avançado 1,9%, acima dos 1,5% da zona euro, sendo que, no quarto trimestre do ano passado, o crescimento terá sido de 0,6% em cadeia e 1,8% em termos homólogos, após 0,8% e 2,4% no trimestre anterior.
De acordo com o NECEP, "esta ligeira desaceleração decorre de um crescimento menos intenso da população ativa e do emprego, bem como da dinâmica fraca das exportações, mantendo-se a evolução positiva do consumo privado".
Já a zona euro deverá ter crescido 0,3% em cadeia no último trimestre do ano passado, repetindo o registo anterior, para uma variação homóloga de 1,3%.
Para 2026 e 2027, as previsões dos economistas do NECEP apontam que a economia da zona euro poderá crescer 1,1% e 1,3%, respetivamente, mantendo "uma perspetiva igualmente fraca" de 1,4% para 2028.
"Os efeitos financeiros e monetários dos anos da pandemia subsistem nas economias europeia e norte-americana, o que limita os respetivos cenários de crescimento", justifica.
No caso da Europa, o laboratório da Católica destaca os previsíveis aumentos de despesa com segurança e defesa fruto dos riscos geopolíticos, a que se somam as despesas decorrentes das pressões demográficas e ambientais, "com o delapidar das finanças públicas, nomeadamente, em França e Alemanha".
Já os Estados Unidos, défice e endividamento públicos "continuam a preocupar", indica.
Referindo que os riscos geopolíticos "continuam ativos" na Ucrânia e no Leste Europeu, bem como no Médio Oriente e na América Latina, o NECEP nota que, "apesar da tensão geopolítica e comercial, os mercados continuam a evidenciar alguma normalidade", com as 'yields' das obrigações soberanas estáveis e com novos máximos históricos alcançados nos mercados acionistas.
A este propósito, alerta para os "riscos inerentes a uma possível 'bolha' entre as empresas tecnológicas norte-americanas".
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