CEO da NOS lamenta ser "bode expiatório" do SIRESP e rejeita participar no futuro do projeto
Miguel Almeida rejeita a responsabilidade atirada pela empresa-gestora do SIRESP, indicando que apenas fornece um serviço. Sobre uma nova candidatura para apoiar a rede de emergência, Miguel Almeida é claro: "Não quero ter mais nada a ver com isso".
O CEO da NOS rejeitou voltar a participar no Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) após o fim do contrato, lamentando ainda as acusações de responsabilidade que foram passadas à operadora pela falha do serviço no dia do apagão. Em entrevista ao Expresso, Miguel Almeida atira que a NOS foi o "bode expiatório" num passa-culpas no qual não teve responsabilidade.
"A NOS fornece um serviço de acordo com os requisitos que foram definidos" no contrato com o SIRESP, e se o sistema "tem debilidades, isso não tem nada a ver connosco", esclarece o líder da operadora, acrescentando que a NOS recebe 1,5 milhões de euros por ano, um valor 30 vezes inferior àquele que o modelo custava ao Estado.
"Houve uma lógica política, um 'passa-culpas', que é uma coisa tradicional em Portugal, há aqui um bode expiatório que é fácil, que é a NOS, que é uma coisa absolutamente lamentável e que me deixa profundamente transtornado", vinca Miguel Almeida, até porque terá ficado "evidente" em conversas com a empresa-gestora que a operadora "não tem responsabilidades sobre as falhas" porque se tratou de falta de energia.
E o gestor vai mais longe, garantindo "saltar fora" da operação quando o contrato terminar daqui a dois anos. "Se não tivéssemos um contrato, garanto que já tinha saltado fora disto. E garanto outra coisa: não sei o que vai ser desenhado para o futuro do SIRESP, mas nós não teremos nada a ver com isso", sustenta.
Miguel Almeida afirma que o atual modelo financeiro dos conteúdos desportivos não é sustentável, tanto que a Sport TV é "um buraco financeiro" nas contas da operadora. Ainda assim, o CEO da NOS não se opõe à entrada da LiveModeTV no mercado durante o Mundial de 2026, indicando, no entanto, que têm de existir regras iguais.
O líder da operadora considera que a LiveModeTV é "parcialmente concorrente, mas essencialmente complementar" ao negócio da Sport TV, mas que "não é sustentável", porque o modelo exclusivo de publicidade já não funciona. "Tem de haver subscrição, o consumidor tem de estar disponível para pagar alguma coisa porque os custos associados a esses conteúdos são astronómicos", aponta.
O gestor atira ainda que não está tranquilo em relação à Sport TV nas contas, uma vez que "a Sport TV é um buraco financeiro", ainda que isso se deva a contextos de mercado. Ainda assim, não se mostrou demasiado preocupado, apesar de indicar que quer sair do negócio do desporto, aproveitando a centralização dos direitos televisivos em 2028.
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