CHAMPALIMAUD FALECEU AOS 86 ANOS

O empresário António Champalimaud faleceu ontem à noite de doença prolongada aos 86 anos, segundo notícia avançada pela SIC.

09 de maio de 2004 às 00:05
CHAMPALIMAUD FALECEU AOS 86 ANOS Foto: d.r.
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Nascido a 19 de Março de 1918, António de Sommer Champalimaud tornou-se rapidamente num dos maiores e mais conhecidos industriais portugueses. Aos 19 anos, Champalimaud já era um dos mais conhecidos industriais portugueses. Com a morte de seu pai, António teve de abandonar os estudos, dedicando-se aos negócios e aos 24 anos já tinha a Cimentos de Leiria. Aqui começou o seu império no mundo dos cimentos com Champalimaud a adquirir empresas em Portugal, Angola e Moçambique.

Mais tarde começou a interessar-se pela indústria siderúrgica e, mesmo contra as contestações ao seu programa fabril e empresarial, consegue em 1952 a aprovação do conselho de ministros, na altura presidido por Salazar, para que a empresa se tornasse totalmente privada. A obra foi edificada em menos de três anos o que lhe valeu a Grã Cruz da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

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Casou-se com Maria Cristina de Mello (também herdeira de uma das maiores fortunas de Portugal), com quem teve sete filhos. Em 1960, adquiriu o Banco Pinto & Sottomayor (BPSM), a companhia de seguros A Confiança, e conquista participações na Mundial e na Continental Seguros. Posteriormente fundou as companhias Mundial e Confiança de Moçambique. No continente Africano o grupo de Champalimaud encontra um vasto mercado de expansão, o que fez com que o BPSM rapidamente se transformasse no maior Banco privado de Angola e Moçambique.

Ainda em África, são integradas as fundições do ferro e aço bem como a sua laminagem (Cifel), a produção de fertilizantes com a Química Geral, a moagem de trigo da Beira a Moabeira, o descasque de arroz com a Orzicola de Moçambique e a CCM dedicada ao fabrico de sacos de papel.

Nesta altura, Champalimaud opta pela diversificação dos seus negócios, aderindo à indústria do papel e tornando-se praticamente fornecedor exclusivo de papel Kraft para cimento, cal hidráulica e farinha.

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Após o 25 de Abril de 1974, Champalimaud vê o seu património confiscado pelas nacionalizações. Por isso, ruma ao Brasil, onde a partir de Vespasiano constitui a cimenteira Soiecom, uma das maiores cimenteiras do Brasil, dedicando-se também à agro-pecuária com três fazendas, Minas Gerais, Maranhão e Rio Grande do Sul. Só em 1992 regressa a Portugal com o intuito de reconstruir o seu património. Readquire em concurso público a maioria do capital da Mundial Confiança, e dois anos depois passa a deter 80% do BPSM comprando também aos espanhóis 50% do Banco Totta & Açores trazendo com ele o Crédito Predial Português. Acabou, porém, em 1999 por provocar um terramoto político na banca portuguesa ao vender toda a sua participação no sector aos espanhóis do BSCH, que tiveram de devolver ao Estado português o BPSM.

A intervenção de António Champalimaud na política portuguesa fez-se sempre de forma indirecta, sendo de salientar o facto de ter possibilitado a publicação do livro ‘Portugal e o Futuro’, do general António Spínola, seu antigo administrador na Siderurgia.

Devido ao choque petrolífero e à crise económica, o papel estava caro e era difícil de comprar, mas Champalimaud resolveu o problema e deu à estampa a obra que para muitos é percurssora da revolução do 25 de Abril.

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Nos últimos anos da sua vida, António Champalimaud repartia o tempo entre o Rio de Janeiro, no Brasil, e a sua imponente vivenda de Cascais. Era um dos homens mais ricos do Mundo, aparecendo no 153.º lugar do “ranking” 2003 das fortunas publicado pela revista “Forbes”. A sua fortuna está avaliada em 1,4 mil milhões de euros.

Os herdeiros directos de Champalimaud são os seus cinco filhos vivos. Dois outros já faleceram, um de acidente de viação e outro assassinado por um funcionário da família. O mais novo, Luís Champalimaud, administrador não-executivo da PT, é aquele que mais se distingue no mundo dos negócios.

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