Charles acusada de não pagar salários
Trabalhadores da sapataria Charles e dirigentes sindicais manifestaram-se ontem à porta de uma das lojas da empresa, em Lisboa, para denunciar atrasos nos salários e nos subsídios desde 2005. A administração acusa os sindicatos de "prejudicarem os empregados", por danificarem a imagem pública da Charles.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritório e Serviços de Portugal (CESP) os 400 trabalhadores estão a receber os salários "às prestações", sendo que "do mês de Abril têm todos eles pagos 200 euros em três partes". Manuel Feliciano, do CESP, diz ainda que desde 2005 a administração não paga os subsídios de Férias e de Natal aos empregados.
A manifestação reuniu apenas seis pessoas, duas das quais dirigentes do CESP, devido a, explicam os manifestantes, receio de represálias por parte da Charles. "Toda a gente sabe que o mercado de emprego está complicado e há um medo justificado entre os trabalhadores de represálias da Charles." Apesar disso, as quatro manifestantes eram gerentes de loja, algumas que pediram a suspensão do contrato "por não aguentarmos mais", justificam.
A administração da Charles reiterou que "está a ser pago o que é possível" e que estas acções dos sindicatos "apenas prejudicam a imagem da Charles junto dos bancos", numa altura em que a empresa tenta garantir um financiamento da Banca. Para a sapataria, "a maioria dos trabalhadores está do nosso lado e não do sindicato".
DECLARAÇÕES
"RECEBER A 'CONTA-GOTAS' NÃO DÁ" - Carina gerente da Charles
Tenho coisas para pagar e andar a receber a conta-gotas não dá. E como resultado disso tenho dívidas. Não pode ser, já chega. Preciso de estabilidade e, por isso, a situação dos salários em atraso tem de ser corrigida. A ver se resolvemos isto pela negociação entre a administração e os trabalhadores, mas duvido.
"NÃO CONSIGO ORGANIZAR A MINHA VIDA" - Paula Neves vend. da Charles
Fui gerente durante nove anos nas sapatarias Charles e, por me ter transformado em delegada sindical, passei a vendedora. Esta administração quer levar a Charles à falência. Tenho a renda para pagar, o colégio das crianças e não consigo organizar a minha vida porque não sei quando irei receber.
"COLEGAS MINHAS ESTÃO A PASSAR FOME" - Teresa Vaz gerente da Charles
Tem sido complicado não receber este dinheiro em atraso, cerca de três mil euros, mas não desisto porque sou uma lutadora. Tenho conhecimento de colegas minhas que estão a passar fome por causa desta situação. Quem não tiver a família para os apoiar nesta situação passa dificuldades.
PORMENORES
PROCESSO DE PENHORA
A Charles já viu bens penhorados na sua fábrica. Em dívida estão dois milhões de euros.
FINANCIAMENTO
A empresa procura investidores para resolver a crise. Os trabalhadores não acreditam.
ADMINISTRAÇÃO
Sindicato diz que problemas surgiram com a nova gestão.
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