Chefe das ‘secretas’ para problemas no fornecimento de gás
O secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, disse esta terça-feira que a instabilidade na zona do Mali pode ter implicações no fornecimento de petróleo e gás a Portugal.
Numa audição na comissão de Defesa, à porta fechada e onde esteve acompanhado pelo diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), o secretário-geral do SIRP centrou a sua intervenção em questões de âmbito internacional e no acompanhamento que os serviços têm feito da situação no Magrebe, no Médio Oriente e na China.
Segundo adiantaram à agência Lusa fontes parlamentares, Júlio Pereira abordou também os confrontos e a operação militar francesa no Mali, afirmando que os serviços (nomeadamente o SIED) estão a acompanhar a evolução da situação há bastante tempo e que têm recebido "informação de qualidade".
O responsável pelos serviços de informações disse estarem em causa interesses estratégicos europeus naquela zona do globo e que pode haver consequências negativas para Portugal no abastecimento de gás e petróleo caso se verifique um agravamento do conflito.
Júlio Pereira focou especialmente problema do gás natural, que é importado por Portugal quase totalmente da Argélia (49%) e da Nigéria (48%) e do qual existem reservas apenas para vinte dias, em caso de rutura no fornecimento.
O secretário-geral do SIRP considerou ainda que a instabilidade na Guiné-Bissau também pode sofrer um agravamento, já que grande parte do tráfico de droga para a Europa passa pelo norte de África.
Júlio Pereira esteve acompanhado pelo diretor do SIED, Casimiro Morgado, nesta audição à porta fechada.
Questionado pela Lusa sobre o motivo desta audição conjunta, o presidente da comissão parlamentar de Defesa, José Matos Correia, disse ter convidado o chefe das ‘secretas' a trazer consigo outros responsáveis dos serviços caso entendesse necessário.
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