Combustíveis, inflação e juros: fecho do Estreito de Ormuz sente-se na carteira

Subida de preços será generalizada se o bloqueio se prolongar. Reforço da produção de petróleo não compensa perdas.

02 de março de 2026 às 01:30
Estreito de Ormuz Foto: Bill Foley/AP
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O preço do barril de Brent, que serve de referência para Portugal, deverá esta segunda-feira chegar aos 100 dólares, valorizando 37% face ao fecho das negociações, na sexta-feira. Este é um dos primeiros reflexos económicos da escalada de violência no Médio Oriente, que obrigou os principais armadores a suspenderem a navegação no Estreito de Ormuz, por onde, até ao final da última semana, passava um quinto do consumo mundial de petróleo (14 milhões de barris por dia).

Ainda que não esteja oficialmente fechado, mais de uma centena de embarcações ficaram este domingo bloqueadas no Golfo Pérsico: via rádio, a Guarda Revolucionária iraniana foi informando as tripulações de que a passagem não era autorizada e três navios petroleiros foram atingidos por mísseis, na costa de Omã e dos Emirados Árabes Unidos. No mesmo dia, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo anunciou um aumento da produção diária em 206 mil barris, o que analistas têm apontado como insuficiente, já que só Irão é responsável por produzir mais de três milhões por dia. “É um sinal, não uma solução”, considerou Jorge Leon, especialista da Rystad Energy.

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A curto prazo, o maior impacto é nos combustíveis, mas se o bloqueio se mantiver, a subida preços será generalizada. “Um encerramento prolongado do Estreito de Ormuz é uma recessão global garantida”, disse Bob McNally, da Rapidan Energy e ex-conselheiro da Casa Branca nesta área.O risco de pressão inflacionista poderá levar o Banco Central Europeu a decidir pela subida dos juros na reunião deste mês.

Ormuz no centro do confronto EUA-Irão

Empresários portugueses no Dubai confiantes

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O conflito “pode provocar impactos conjunturais ao nível da confiança e da logística”, referiu ao CM o presidente do Portuguese Business Council no Dubai, Paulo Paiva dos Santos. No entanto, defendeu "o Dubai tem demonstrado grande resiliência, estabilidade e capacidade de adaptação". Por essa razão, acredita "que as relações comerciais com Portugal se manterão sólidas no médio e longo prazo". E acrescentou: "Confio igualmente que os empresários e empreendedores portugueses que estavam a equacionar investir e expandir para o Dubai manterão essa vontade, pois a confiança na capacidade de resposta e na visão estratégica do Governo do Dubai é elevada e tem sido amplamente demonstrada ao longo dos anos". 

Paiva dos Santos sublinhou ainda o "papel fundamental que a Embaixada de Portugal nos Emirados Árabes Unidos e o Embaixador Fernando Figueirinhas têm tido na gestão deste momento, mantendo a comunidade informada, enviando orientações claras e transmitindo tranquilidade, confiança e sentido de responsabilidade a todos."

Petrolíferas em Portugal esperam subida da gasolina e gasóleo 

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“Como em todas as situações de conflito naquela região, deverá registar-se uma subida da cotação do crude e, consequentemente dos produtos refinados. Só esta segunda-feira teremos uma ideia de valores”, disse ao Correio da Manhã António Comprido, secretário-geral da EPCOL, associação que junta as principais empresas petrolíferas em Portugal. 

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