Crescimento de 2% previsto pelo Governo "provável", mas CFP preferia mais "prudência"
Organismo pede "prudência" devido à "incerteza quanto à duração do conflito militar no Médio Oriente".
O Conselho das Finanças Públicas (CFP) considera "provável" o crescimento real de 2,0% previsto no Relatório Anual de Progresso (RAP) 2026, mas entende que os "riscos predominantemente descendentes" exigiam maior cautela.
"No âmbito da avaliação do cenário macroeconómico, a previsão de um crescimento real de 2,0% em 2026 afigura-se como provável, mas apresenta riscos predominantemente descendentes", sustenta o CFP no parecer relativo ao RAP 2026, esta segunda-feira divulgado e efetuado por solicitação do Ministério das Finanças (MF).
Para o organismo liderado por Nazaré da Costa Cabral, "a incerteza quanto à duração do conflito militar no Médio Oriente, e as suas consequências económicas mais amplas, aconselharia um grau acrescido de prudência".
Segundo explica, esta avaliação "resulta da ponderação dos riscos do cenário do MF, da incerteza do panorama macroeconómico atual e das projeções existentes para a economia portuguesa".
A este propósito, o CFP nota que "o cenário de crescimento apresentado é superior às projeções mais recentes apresentadas por outras instituições e que está alicerçado numa expectativa de crescimento do investimento público superior a 50%, o que se afigura de difícil concretização".
Por outro lado, "o cenário macroeconómico aponta também para um aumento da inflação, medida pelo IHPC, de 2,5%, inferior ao antecipado nas projeções mais recentes apresentadas por outras instituições de referência, uma expectativa que não se encontra enquadrada no intervalo de maior probabilidade quando considerados os erros de previsão passados".
Detalhando que o cenário do MF prevê uma desaceleração da taxa de inflação excluindo energia, o CFP considera que a previsão do Governo "pode subestimar os efeitos de contágio de aumentos dos preços dos bens energéticos a outras componentes do cabaz de consumo das famílias".
Quanto ao crescimento nominal previsto pelo MF, refere que está "balizado pelas últimas projeções independentes disponíveis", com uma previsão para o deflator do PIB "que se considera prudente".
O parecer do CFP avaliou a conformidade dos dados de execução orçamental em 2025 com a trajetória da despesa líquida, bem como das previsões macroeconómicas, e respetivas hipóteses externas e técnicas, para o ano de 2026.
No primeiro caso, diz respeito unicamente aos dados de execução de 2025, não abrangendo a previsão orçamental para 2026.
Quanto às previsões macroeconómicas para 2026, não se tratando o RAP 2026 de um documento de programação orçamental, a análise do CFP incide apenas sobre a sua plausibilidade.
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