Criação da série F tornou certificados de aforro pouco atrativos
Líder dos CTT afirma que Governo de António Costa “deu um remédio excessivo” quando substituiu a série E.
A série F dos Certificados de Aforro continua a não ser consensual e desta vez foi o presidente dos CTT a deixar críticas às alterações feitas em 2023 a este instrumento de poupança quando os juros subiram. “O Governo de então [de António Costa], preocupado com o facto de os certificados de aforro estarem com uma posição muito assimétrica [...] alterou a série E e criou a série F e exagerou. No fundo, a pessoa estava doente e deu-lhe um remédio excessivo. Ia morrendo da cura”, explicou João Bento, em entrevista ao ‘Negócios’.
O gestor, que está de saída da liderança dos CTT no final de abril, considerou que a série atualmente em comercialização “tornou os certificados completamente não atrativos”. Adiantou ainda que a agência que gere a dívida pública (IGCP) defende a revisão do tecto máximo de subscrição, deixando um apelo ao atual Executivo. “Acho que o Governo tem todas as condições, e espero de vontade. Acho que este negócio vai continuar a ser um negócio interessante”, referiu.
Já o ano passado a Deco Proteste transmitiu ao CM que nunca considerou a atual série F “especialmente interessante” para os aforristas. António Ribeiro, especialista desta associação, lembrou na altura que os prémios de permanência “foram cortados para metade nos primeiros nove anos”.
Quando, em 2023, o Executivo de Costa determinou a substituição da série E pela atual série F, desceu a remuneração imediata dos aforradores de 3,5% ao ano para apenas 2,5%. Este mês, a taxa base da série F dos Certificados de Aforro caiu para 2,046%, ao baixar 0,11% face a dezembro de 2025.
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