Crise baixa receitas
Consumidores trocam de tarifário e utilizam mais do que um cartão para fazer baixar despesas mensais com telemóveis. Cerca de 25 por cento já mudaram de plano pelo menos três vezes
A TMN, Vodafone e Optimus ganham cada vez menos dinheiro com cada cliente, apesar das subidas anuais de preços. A crise não é a única razão – a tendência já vem de trás – mas a necessidade de reduzir o custo da factura com telemóvel é uma realidade. Troca de tarifário e acumulação de cartões são dois dos expedientes usados para fazer baixar a factura mensal em comunicações.
As quebras nas receitas médias por cliente nas três operadoras móveis nacionais atingiram os 30 por cento nos últimos cinco anos, com valores superiores a 10 por cento só entre 2008 e 2009. As explicações das três empresas – TMN, Vodafone e Optimus – para esta quebra de receitas variam entre a crise económica e as reduções de preços nas chamadas impostas pela Autoridade Nacional de Comunicações e pela União Europeia.
A Optimus, que apresenta a receita mais baixa por cliente, admite que as quebras registadas se prendem com o actual contexto económico, considerando que é de esperar que 'as pessoas sejam mais cautelosas com os seus gastos', explica fonte da operadora.
Por seu turno, entre as razões apontadas pela TMN encontram-se os ajustamentos de clientes a tarifários. E, de facto, um estudo da Autoridade da Concorrência revela que cerca de 75 por cento dos consumidores já mudaram de tarifário e 25 por cento alteraram-no 'três ou mais vezes'.
Outra das razões, segundo a Vodafone, prende-se com a 'proliferação de segundos e terceiros cartões num mesmo cliente'. Uma realidade que a entidade reguladora das comunicações (Anacom) constatou num estudo, no qual conclui que cerca de 10 por cento dos clientes dispõem de mais do que um cartão activo.
A estas explicações, há que acrescentar as sucessivas descidas das receitas de interligação (o preço que as operadoras pagam umas às outras) impostas pela Anacom, de acordo com a leitura feita ao CM por fontes oficiais da Vodafone e da TMN.
TOPOS DE GAMA CUSTAM METADE EM SEIS ANOS
Os preços dos telemóveis mais sofisticados têm vindo também a baixar significativamente. Em 2004, quando foram lançados os telemóveis de 3ª geração, os primeiros aparelhos chegaram ao mercado a 699,90 euros. Esse era o preço de referência do Siemens U15, lançado pela TMN, cerca de 10 euros mais caro do que o Samsung Z10 com que a Vodafone lançou o serviço. Um aparelho equivalente custa hoje, na Optimus, 79,90 euros. Actualmente, um telemóvel topo de gama – tal como aqueles modelos o eram na altura – chega ao mercado a metade ou menos de metade daquele preço. É o caso do Vodafone 360 Samsung H1, que se encontra à venda por 209,90 euros, ou do Samsung Galaxy-S da TMN, que custa 399,90 euros.
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