Empresas portuguesas têm de manter aposta no mercado americano
Secretário de Estado da Economia diz que "o mercado americano é um mercado que as empresas portuguesas devem continuar a olhar com atenção".
O secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, defendeu hoje em Milão que as empresas portuguesas têm de continuar focadas no mercado americano, independentemente dos desenvolvimentos que venham a ocorrer ao nível das tarifas.
"Independentemente do que acontecer, e esperamos que seja vantajoso para a Europa enquanto bloco, o mercado americano é um mercado que as empresas portuguesas devem continuar a olhar com atenção", afirmou o governante em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à comitiva portuguesa que, desde domingo até terça-feira, participa na feira de calçado Micam, em Milão, Itália.
Isto porque, salientou, o 'mix' de produtos que Portugal tipicamente exporta para os Estados Unidos "é onde está, muitas vezes, a rentabilidade e o valor acrescentado".
Embora preferindo manter alguma "prudência" nos comentários -- "Porque ainda não compreendemos na plenitude o que temos pela frente", justificou --, o secretário de Estado considerou não ser "bom" que, depois de um período de instabilidade até agosto do ano passado, e quando as empresas "definitivamente perceberam qual era o acordo que foi alcançado com a União Europeia", surja "uma nova realidade".
"Será que isto vai ser uma taxa 'flat rate' para todos? Se for os 10% é uma realidade, os 15% será outra. As isenções para alguns setores mantêm-se ou não? Vamos ficar mais ou menos competitivos que outros blocos?" questionou João Rui Ferreira, recordando que, "a certa altura, mesmo com as tarifas dos direitos aduaneiros de 15%, Portugal estava mais competitivo que alguns blocos asiáticos".
Considerando que é preciso "aguardar com alguma tranquilidade para ter uma visão clara" sobre o que vai realmente acontecer, o secretário de Estado ressalvou que "a posição do Governo português em termos de direitos aduaneiros tem que ser sempre concertada, ou, pelo menos, alinhada com a [da] Comissão, porque os acordos comerciais são de competência exclusiva da Comissão Europeia".
"As palavras da Comissão foram claras. O acordo foi estabelecido e deve ser mantido, portanto, percebemos claramente que a posição da Comissão parece ir nesse sentido, até porque isto protege uma negociação longa que foi feita para alguns segmentos e setores que nos posicionaram melhor, com isenções ou com direitos aduaneiros mais reduzidos", referiu.
"Estamos muito atentos. Aquilo que menos queríamos agora era mais instabilidade em cima de um processo que parecia ter ganhado alguma estabilidade", acrescentou.
O Presidente norte-americano anunciou no sábado que a nova tarifa alfandegária global vai aumentar de 10% para 15% "com efeito imediato", após o Supremo Tribunal ter considerado ilegais grande parte das taxas que havia imposto.
"Como Presidente dos Estados Unidos da América, vou aumentar com efeito imediato os direitos aduaneiros globais de 10% (...) para o nível totalmente autorizado [...] de 15%", escreveu Donald Trump na sua rede social Truth Social.
A nova taxa de 15% foi a resposta de Trump à decisão que derrubou a política tarifária, ao considerar que o republicano excedeu os poderes de emergência invocados para impor impostos aos parceiros comerciais dos EUA.
Para minimizar os efeitos das tarifas e evitar uma guerra comercial, Bruxelas e Washington assinaram no verão um acordo mediante o qual a UE aceitou uma tarifa geral de 15% se os EUA exportassem para o bloco produtos industriais isentos de tarifas.
A grande maioria dos produtos europeus está sujeita a uma tarifa de 15% nos EUA, mas a UE ainda não aplica a tarifa de 0% aos produtos norte-americanos, por aguardar que o Parlamento Europeu ratifique o acordo.
A Comissão do Comércio do Parlamento Europeu, que prevê votar o acordo entre Bruxelas e Washington na próxima terça-feira, convocou uma reunião para hoje com o objetivo de analisar as implicações da decisão do Supremo Tribunal dos EUA.
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