Eurogrupo debate hoje medidas de alívio no impacto do conflito no Médio Oriente com alertas para apoios limitados

Eurogrupo defende que os países da moeda única avancem com apoios para aliviar dificuldades económicas das famílias e ajudar as empresas, mas mantenham a sustentabilidade orçamental.

27 de março de 2026 às 07:33
Kyriakos Pierrakakis, presidente do Eurogrupo Foto: Olivier Hoslet/AP
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Os ministros das Finanças da zona euro reúnem-se esta sexta-feira, por videoconferência, num encontro extraordinário para debater o impacto do conflito no Médio Oriente nos preços da energia e na situação macroeconómica dos países da moeda única.

A ideia é que, nesta reunião virtual do Eurogrupo, os governantes avaliem os efeitos da crise no Médio Oriente sobre a economia da União Europeia (UE), nomeadamente no que toca ao aumento da volatilidade dos mercados energéticos, aos riscos de subida dos preços do petróleo e do gás e às potenciais perturbações das cadeias de abastecimento.

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Quando muitos países da zona euro e da UE, incluindo Portugal, avançam com medidas de apoios às suas economias e famílias, os ministros vão tentar coordenar respostas políticas e mitigar impactos económicos negativos, quando já existem várias revisões em baixa do crescimento para 2026 e 2027.

Falando na antevisão do encontro, fontes europeias lembraram que as respostas dadas à crise energética de 2022, aquando da invasão russa da Ucrânia, tiveram custos orçamentais significativos e, neste momento, não existe margem orçamental para o repetir.

Há quatro anos "vimos todo o tipo de medidas a nível nacional que, na prática, não foram tão temporárias, ajustadas e direcionadas como deveriam ter sido e a esperança é que desta vez haja melhor coordenação", precisou uma dessas fontes.

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O Eurogrupo defende, assim, que os países da moeda única avancem com apoios para aliviar dificuldades económicas das famílias e ajudar as empresas, mas mantenham a sustentabilidade orçamental.

De acordo com as fontes europeias ouvidas pela Lusa, ainda não se fala muito da ativação da cláusula de salvaguarda no âmbito das regras orçamentais da UE, mas essa é uma das medidas em cima da mesa, que foi usada durante a pandemia de covid-19 e permitiu a suspensão dos apertados tetos de 3% do PIB para o défice e de 60% do PIB para a dívida pública.

As próximas previsões económicas da Comissão Europeia serão divulgadas em 21 de maio.

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O Eurogrupo reuniu-se em meados de março pela primeira vez em Bruxelas desde o início da guerra iniciada por Israel e por Estados Unidos contra o Irão e marcada pela resposta iraniana.

Nessa altura, após uma análise aos impactos económicos do conflito ao nível energético e inflacionista, o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, alertou que a zona euro se deve "preparar para longa instabilidade", que pode afetar cadeias de abastecimento e pressionar os preços da energia e a inflação.

Já o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, considerou que um conflito mais alargado e duradouro no Médio Oriente poderá "ter implicações mais profundas e de longo prazo" na economia comunitária, mas destacou o "ponto de partida sólido".

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Portugal esteve representado na ocasião pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que admitiu que Portugal possa registar défice em 2026 "se as circunstâncias o impuserem", dado o impacto das tempestades e, agora, do conflito no Médio Oriente.

Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços.

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Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.

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