Ex-gestor do Metro de Lisboa acusado de abuso de poder
Foram perdoadas multas de milhões por atrasos na entrega da obra até ao aeroporto.
O Ministério Público acusou um ex-administrador do Metropolitano de Lisboa de abuso de poder. Luís Morais Correia, que esteve no conselho de administração entre 2006 e 2009, terá perdoado multas por atrasos na obra entre a estação do Oriente e o aeroporto de Lisboa (Linha Vermelha) à empresa onde trabalhava um familiar seu.
A acusação, divulgada ontem pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, refere que o arguido agiu "em prejuízo do Metropolitano de Lisboa e com o propósito de beneficiar a empreiteira, na qual um seu familiar exercia funções de diretor".
O gestor terá impedido a aplicação de multas por incumprimento dos prazos "não obstante a existência de pareceres e uma ordem do Presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa, em sentido contrário."
Terá encomendado também um parecer jurídico pago pelo metro reforçando a sua posição e ordenou que fossem assinados autos de receção da obra, "apesar de existirem vários trabalhos por concluir".
Segundo uma auditoria do Tribunal de Contas à execução dos "toscos entre a estação do Oriente e a estação do aeroporto", o empreiteiro deveria ter sido multado em 5,8 milhões de euros por atrasos de 312 dias na execução da obra, o que não aconteceu.
O preço inicial também derrapou, tendo atingido os 139 milhões de euros. Além do Tribunal de Contas, também o Metropolitano abriu, em 2010, um inquérito.
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