FMI quer que reguladores e bancos centrais apoiem financiamento sustentável

Objetivo surge numa altura em que o custo de avaliação de práticas sustentáveis no mercado é elevado.

10 de outubro de 2019 às 15:14
Dinheiro Foto: Getty Images
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) pretende que os reguladores e bancos centrais apoiem os mercados de financiamento sustentável, numa altura em que o custo de avaliação de práticas sustentáveis no mercado é elevado.

A instituição sediada em Washington define finanças sustentáveis como "a incorporação de princípios ambientais, sociais e de governança (Environment, Social and Governance, ESG, na sigla em inglês) nas decisões de negócios, desenvolvimento económico e nas estratégias de investimento".

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"Os reguladores e bancos centrais podem apoiar ainda mais o desenvolvimento de mercados relacionados com ESG através de aumento de perceção e oferta de liderança intelectual na avaliação de riscos de ESG", pode ler-se no capítulo seis das Perspetivas Económicas Mundiais ('World Economic Outlook') do FMI.

O capítulo analítico, dedicado ao financiamento sustentável, sugere ainda que "os decisores políticos devem incorporar princípios de ESG, particularmente riscos financeiros relacionados com o clima, na monitorização e avaliação da estabilidade financeira, e na microsupervisão (como em testes de 'stress')".

"[Os decisores] podiam considerar incentivos para começar imediatamente mercados financeiros 'verdes'", de acordo com o FMI, que também refere a possibilidade de que as agências de 'rating' e outros fornecedores de dados financeiros possam integrar "informação material sobre financiamento sustentável nos 'ratings' de créditos e noutras avaliações".

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O Fundo reconhece, no entanto, que as agências de notação financeira já deram "passos significativos na incorporação de princípios ESG nas suas avaliações de crédito dos emitentes", e no caso da União Europeia a regulamentação do setor "está em curso".

Nos passos necessários para "estimular o crescimento do financiamento sustentável" estão "a estandardização da terminologia de investimento sustentável", "reporte consistente de práticas empresariais ESG" e "clarificação do papel dos fatores de ESG numa prudente governança de investimento por parte dos reguladores", indica a organização.

"O FMI vai continuar a incorporar considerações relacionadas com ESG, particularmente relacionadas com alterações climáticas, quando for crítico para a macroeconomia", assegura a instituição liderada por Kristalina Georgieva, que planeia apresentar "investigação adicional" sobre o tema no Relatório Global de Estabilidade Financeira em 2020.

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