Fragmentação do mercado financeiro pode ser "obstáculo à competitividade"

O ministro das Finanças português sublinhou hoje, em Tóquio, que a prioridade de Portugal é acabar com a fragmentação do mercado financeiro europeu, alertando que, caso contrário, esta situação poderá constituir um "segundo obstáculo" de competitividade.

13 de outubro de 2012 às 14:06
Vítor Gaspar, fragmentação do mercado Foto: EPA
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"Países como o meu, que percorreram um longo caminho para corrigir os desequilíbrios externos, estão a enfrentar uma tarefa complicada, porque temos uma fragmentação do mercado financeiro único europeu e isso reflecte o mau funcionamento do mecanismo de transmissão da política monetária", disse Vítor Gaspar.

Durante um seminário, no âmbito das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, dedicado ao tema "Reforçar a zona euro", o ministro português defendeu que a eliminação desta fragmentação "é a principal prioridade para países como Portugal".

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"Caso contrário, é como se o país enfrentasse um segundo obstáculo de competitividade criado pelas dificuldades decorrentes do lado financeiro da economia", observou.

Vítor Gaspar explicou a necessidade de Portugal ver eliminado esse risco "para que o grau de incerteza que os atores económicos enfrentam seja diminuído" e apontou o caminho: "uma estratégia viável para uma zona euro sustentável, processo que passa pela união financeira, orçamental, económica e por um reforço da legitimidade democrática e responsabilidade".

Para descrever este processo, o governante recorreu à descrição de uma tarefa difícil sugerida pelo filósofo austríaco Otto Neurath.

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"É como reconstruir um navio em mar aberto quando se flutua nele, é uma imagem adequada ao que estamos a tentar fazer na Europa, que é tentar conter uma crise enquanto construímos as fundações de algo que vai durar muito tempo", sustentou.

Ao reconhecer que a Europa não dispõe ainda de "um conceito que se possa tornar operacional, amanhã ou depois de amanhã, no que respeita à união orçamental", Vítor Gaspar realçou que "se está a fazer progresso", considerando como "promissor o facto de todos concordarem com a formulação do problema e de todos estarem empenhados em resolvê-lo".

E apontou mesmo o caminho: "Quanto mais prescindirmos da nossa autonomia no campo das políticas orçamentais, mais podemos oferecer em termos de união orçamental".

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A "Europa deve procurar o equilíbrio certo entre as regras centrais e o grau de mutualização ou a garantia de que podemos responder de forma colectiva aos riscos que enfrentamos", considerou.

O ministro reconheceu ter havido "episódios de problemas de comunicação no seio do Eurogrupo", uma situação "normal por se estar na Europa, um contexto político diversificado", mas considerou que a zona euro "se aproxima de uma união política", e observou que se está a trabalhar, no âmbito do Eurogrupo, "no sentido de uma maior coesão".

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