Governador sob pressão o escândalo da Caixa Geral de Depósitos
Auditoria foi entregue em junho mas Carlos Costa só se afastou do caso em novembro.
O governador do Banco de Portugal só pediu escusa sobre a matéria relativa à auditoria da E&Y, que visa a gestão passada da CGD, cinco meses após o documento ter sido entregue. A pressão sobre Carlos Costa continua a crescer – sabe-se que participou em reuniões de conselhos de crédito em que foram aprovados alguns dos financiamentos mais ruinosos –, com BE e CDS a admitirem a exoneração.
A análise forense aos atos de gestão do banco público foi entregue em junho de 2018 e, de acordo com o Banco de Portugal, "o pedido de escusa relativamente à participação em deliberações sobre situações abrangidas pela auditoria foi apresentado na ocasião da primeira deliberação tomada neste âmbito, em 6 de novembro". Ou seja, quase cinco meses após a entrega do documento.
O CM questionou o supervisor sobre se a vice-governadora Elisa Ferreira também ia pedir escusa, já que é casada com Fernando Freire de Sousa, que presidiu à La Seda (um dos maiores devedores do banco público é a Artlant). Segundo o regulador, o gestor deixou de ter qualquer ligação ao grupo em abril de 2008. O financiamento inicial à Artlant é de 2008 e "foi a partir de 2010 que a exposição creditícia da CGD perante a Artlant aumentou significativamente".
"A vice-governadora considera que não existem razões que possam influenciar, ou que possam dar a aparência de influenciar, a sua atuação em matéria de supervisão da CGD."
Esta segunda-feira, o BE apresentou um projeto de resolução a recomendar ao Governo a demissão do governador. "O pedido de escusa mostra que há conflito de interesses", afirmou Mariana Mortágua. Já João Almeida, do CDS, diz que quer primeiro ouvir o governador no inquérito, mas não exclui a exoneração, tal como o PCP.
"Há uma responsabilização que deve ser apurada", assume Jerónimo de Sousa. No PSD, Leitão Amaro entende que as "conclusões devem ser feitas com base na comissão de inquérito".
Esta segunda-feira, em Bruxelas, o secretário de Estado das Finanças garantiu que "serão tiradas todas as consequências sem olhar a quem".
"Estão a ser apuradas responsabilidades civis, criminais e contraordenacionais de todos os que estiveram envolvidos", disse Mourinho Félix.
A legislação prevê que o governador possa ser exonerado por "falta grave" ou incumprimento de requisitos.
Inquérito à Caixa vai ser debatido na quinta-feira
O Parlamento debate esta quinta-feira a criação de uma nova comissão de inquérito parlamentar à CGD e à gestão do banco público. A discussão surge após a apresentação de um projeto de resolução conjunto do CDS, PSD, PS e BE para "apurar as práticas da gestão da Caixa no domínio da concessão e gestão de crédito".
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