Guerra do Fraque

A guerra pelos clientes entre cobradores de dívidas difíceis está ao rubro e já deu origem a, pelo menos, duas queixas-crime na polícia. Os dois casos ocorrerem com funcionários da empresa Os Senhores do Fraque que acusam O Homem do Fraque de perseguição e de ameaças com arma branca.

21 de janeiro de 2007 às 00:00
Guerra do Fraque Foto: Pedro Catarino
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O mercado da recuperação de dívidas é apetecível, mas a concorrência faz com que a captação de clientes se transforme em batalhas.

Chamadas anómimas, difamação e ameaças mais ou menos veladas são algumas das acusações que Os Senhores do Fraque fazem ao grupo praticamente com o mesmo nome, O Homem do Fraque.

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Os funcionários têm sido “perseguidos e ameaçados”, tendo mesmo ocorrido já dois conflitos que terminaram com a apresentação de queixa-crime na PSP, adiantou ao Correio da Manhã Fernando Brites, advogado dos Senhores do Fraque.

“Um dos casos ocorreu no Centro Comercial Colombo e outro nas Amoreiras”, concretiza, adiantando que, nas duas situações, os funcionários do Os Senhores do Fraque foram “ameaçados com uma faca”.

Os funcionários terão sido ameaçados quando, como é hábito no seu procedimento, contactavam com clientes, deixando o cartão comercial. De acordo com o advogado, as situações foram presenciadas por seguranças dos centros comerciais.

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As acusações foram negadas ao CM por José Constantino, do O Homem do Fraque, que, embora não querendo falar sobre os incidentes, acabou por sugerir que os actos deverão ter sido cometidos por indivíduos que se fizeram passar por cobradores da empresa.

A razão deste agravar dos conflitos entre empresas do mesmo ramo prende-se, de acordo com Fernando Brites, com a grande concorrência existente neste mercado.

No entanto, e apesar desta situação, trata-se de uma actividade que não tem uma regulamentação própria.

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“É necessário um documento legal que defina os direitos e deveres destas empresas”, defendeu Fernando Brites, explicando que o enquadramento decorre do Código Penal e da Lei Geral.

Trata-se de uma legislação indirecta que não é suficiente para esclarecer que requisitos são necessários para a prática da actividade.

CONSUMIDORES

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“Já enviei o cheque pelo correio” e “Tou completamente teso... volte prà semana” são algumas das respostas mais frequentes dadas pelos particulares com dívidas aos cobradores do Os Senhores do Fraque.

COMERCIAIS

Do ‘top ’ das respostas dos comerciais das empresas com dívidas fazem parte a sugestão de que vai solicitar a falência. “Essa factura é da responsabilidade do outro departamento” e “estamos à espera que os nossos clientes nos paguem” também fazem parte da lista.

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ESTRANHAS

Entre as respostas mais estranhas dadas aos Senhores do Fraque contam-se as seguintes: “Perdi os meus óculos e não deu para ler o correio”, “o meu carro está na oficina e os correios ficam a mais de dez km” e “não tenho a certeza se tenho de pagar essa factura”.

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