“Já existem empresas com camiões a parar”
António Mousinho, Presidente da ANTRAM, fala ao CM sobre as reivindicações da associação e do Orçamento do Estado para 2009.
Correio da Manhã – Todas as vossas reivindicações estão contempladas no Orçamento para 2009?
António Mousinho – Não. Não estava previsto o regime especial de exigibilidade do IVA, que foi acordado com o Governo. No entanto, durante o dia de ontem tivemos informação da parte do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, que este assunto será resolvido através de legislação avulsa fora do Orçamento.
– Então o Orçamento não defraudou as expectativas dos transportadores de mercadorias?
– Temos o problema da majoração em 20 por cento dos custos com combustíveis. O que negociámos foi uma majoração sem limite para as empresas de transporte. O que aparece no Orçamento é um limite de cem mil euros, o que, para muitas empresas é um incentivo que se esgota em dois ou três meses. Trata-se de uma questão que esperamos ver resolvida na reunião que teremos com a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, na próxima semana. Se este problema for resolvido, podemos dizer que o Orçamento contempla todos os pontos que negociámos com o Governo.
– Em tempos de crise, conseguiram negociar algumas ‘almofadas’ importantes para a manutenção da actividade dos transportadores?
– Muitas medidas, que só vão entrar em vigor em 2009 (e algumas em 2010), serão uma ajuda efectiva para muitas empresas. Mas é preciso não esquecer que a conjuntura económica em Junho era muito diferente daquela que existe actualmente. É preciso não esquecer que já existe empresas a parar camiões por falta de serviço.
– Perspectivam-se despedimentos entre os transportadores?
– Existe uma quebra muito grande da procura. É provável que algumas empresas tenham de despedir pessoal.
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