Judiciária investiga estradas do Centro

A Direcção de Estradas de Coimbra e várias empresas de construção foram visitadas ontem por inspectores da Polícia Judiciária (PJ), no âmbito de uma investigação relacionada com alegado favorecimento e tráfico de influências.

22 de março de 2007 às 00:00
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Os investigadores da Direcção de Combate ao Crime Económico entraram na Direcção de Estradas, no Edifício Quinta das Varandas, e pediram para consultar a documentação de diversas obras efectuadas no distrito de Coimbra nos últimos três anos.

Após consulta demorada dos processos, que envolvem diferentes adjudicatários e empresas, os inspectores solicitaram cópias de alguns documentos para juntar à investigação e confiscaram computadores.

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Ao mesmo tempo, foram feitas buscas em empresas de construção e obras públicas em vários pontos do País, a quem foram adjudicadas obras integradas na malha rodoviária nacional.

Segundo apurou o CM, as suspeitas de favorecimento recaem também sobre o director da Estradas de Coimbra, José Gomes, que terá cedido máquinas a presidentes de câmaras municipais. José Gomes não quis comentar as investigações.

Paula Ramos Chaves, directora do Gabinete de Comunicação e Imagem da Estradas de Portugal (EP), confirmou a presença da PJ nas instalações da Direcção de Estradas de Coimbra, mas recusou identificar as empreitadas sob suspeita. Para a responsável, o importante é que a conclusão das diligências seja rápida. “A EP está familiarizada com as auditorias e inspecções que são levadas a cabo, porquanto as mesmas sempre contribuíram para retirar os climas de suspeição que periodicamente se insinuam e que estas acções têm vindo a esclarecer”, adiantou.

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Nos últimos meses, a PJ de Coimbra tem intensificado a investigação dos crimes económicos e de corrupção, o que levou já à detenção de duas importantes figuras da cidade.

Luís Vilar, ex-vereador da Câmara Municipal de Coimbra e presidente da Comissão Concelhia do PS, foi constituído arguido, em Abril do ano passado. O processo envolve suspeitas da prática de corrupção e tráfico de influências, no caso Bragaparques, venda e arrendamento do antigo edifício dos Correios e eventual colaboração com a empresa Certoma.

Já este mês começou o debate instrutório do processo em que o presidente da Académica de Coimbra, José Eduardo Simões, é acusado de oito crimes de corrupção.

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O dirigente e ex-director do Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal de Coimbra foi indiciado por suspeitas da prática de crimes de corrupção passiva em casos que envolvem os sectores da política, do imobiliário e do futebol.

UNIDADE ANTI-CORRUPÇÃO

Deverá ser aprovada esta semana a nova Lei Orgânica da Polícia Judiciária que vai extinguir a Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF), substituindo-a por uma Unidade de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária. O projecto já foi entregue ao ministro da Justiça e aguarda aprovação. A nova Unidade terá quatro subunidades; Autarquias, Desporto, Institucional e Crimes conexos.

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