Loures: Taxas intactas desde o ano 2009
A Câmara de Loures não mexe nas taxas, nem nas licenças municipais há três anos, uma decisão que vai manter em 2013, quando é esperado que a recessão se prolongue. Em termos fiscais, a autarquia não abre os cordões à bolsa no que toca ao IRS, mas mantém o IMI dos prédios reavaliados nos 4%.
Segundo fonte oficial da autarquia, "a última tabela é de 2009 e este ano não há atualização". "É uma questão estratégica relacionada com a necessidade de captar investimento", adianta a mesma fonte. E, além de não agravar as taxas, o preço da água no concelho vai até descer em 2013 para os consumidores do 1º escalão: a tarifa mínima cai dos 0,5274 euros por metro cúbico para os 0,5130 euros.
Em termos financeiros, o município tem vindo a endireitar as contas, encurtando o endividamento. Em 2011, a dívida total da autarquia ascendia a 80,6 milhões de euros, um montante que caiu para 67,4 milhões no ano seguinte. A dívida à Banca mantém-se elevada, mas ainda assim recuou dos 44,6 milhões em 2011 para 39,6 milhões no final do ano passado. A 30 de setembro, o endividamento líquido da autarquia per capita, isto é, a parte da dívida imputada a cada habitante de Loures, situava-se nos 178,85 euros. E a independência financeira em relação às receitas totais – 136 milhões em 2012 – fixava-se nos 61,3%.
Nos impostos, o concelho de Loures não é o mais generoso em termos de IRS, já que aplica em 2013, tal como no ano anterior, os 5% de taxa, não devolvendo parte das receitas aos munícipes. No IMI, a taxa aplicada aos imóveis reavaliados está no escalão intermédio: 4%.
INCENTIVAR E REABILITAR O CENTRO
"Incentivos ao comércio"
António Mendes, Proprietário de café
Faltam incentivos para o comércio tradicional – eventos que façam as pessoas voltar às ruas em vez de se enfiarem em centros comerciais – e licenciamento para que o comércio possa estar aberto até mais tarde.
"Prédios degradados"
Maria Teresa Batalha, Moradora
No centro da cidade, os prédios estão muito degradados. A câmara deveria promover obras de remodelação ou emitir licenças para que as pessoas possam fazer modernizações.
"Grande desertificação"
Rosália Marques, Empregada de balcão
Cada vez há um maior afastamento das pessoas do centro de Loures. Não há sítio para estacionar sem ter de pagar parquímetro e as pessoas deixam de parar, além de que os jovens se foram embora.
DISCURO DIRETO
"Munícipes não são acarinhados"
Manuel Tarré, Diretor-geral da Gelpeixe
Correio da Manhã – Loures oferece condições de investimento para as empresas?
Manuel Tarré – Loures está como muitos outros concelhos: não há investimento. O concelho até tem facilidade de integração de empresas, mas a conjuntura não é fácil.
– Se fosse hoje, voltava a investir aí?
– Voltava porque sou como muitos portugueses: nasci aqui e hei de morrer aqui.
– Qual é o maior desafio?
– Evitar os erros de gestões passadas. Urge passar a governar de acordo com aquilo que os habitantes desejam.
– A que se refere?
– Não se tem visto no concelho um trabalho contínuo. Falta uma lógica que defenda a população. Talvez por falta de receitas, o poder local não tem estado presente e os munícipes não se têm sentido acarinhados. É preciso fazer coisas mais úteis às populações.
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