Mário Soares: "Não me consta que o Governo tenha chamado o FMI"
O antigo Presidente da República e antigo primeiro-ministro Mário Soares, considerou esta terça-feira desnecessária uma intervenção imediata do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Portugal.
"Não me consta que até agora o FMI tenha dito que queria vir, nem me consta que o Governo português tenha pedido para vir", disse Soares que, enquanto primeiro-ministro, chegou a pedir a colaboração daquele organismo.
"Eu tive duas vezes o FMI cá e resolvi os problemas, mas enquanto o Governo não pedir e enquanto isso não se proporcionar, não vejo que haja necessidade para tal coisa", afirmou aos jornalistas, após realizar uma palestra para alunos da Trofa sobre República, Democracia e Europa.
Em relação às acções feitas para ultrapassar os problemas financeiros de Portugal, Mário soares afirma que "está-se a fazer bem" e "houve uma certa acalmia na última semana, depois do desejo dos chineses de comprarem uma parte da nossa dívida e de a senhora Merkel [chanceler alemã] ter dito que se houvesse uma crise do euro era terrível porque seria a destruição da União Europeia".
Mário Soares rejeitou também a hipótese de um governo de bloco central em Portugal como o que ele próprio acordou, enquanto primeiro ministro, com Mota Pinto.
"Sei o que é um governo de bloco central, necessita de meses de negociações prévias e de avanços. Eu andei a negociar isso com o professor Mota Pinto muito antes das eleições", recordou.
Para o antigo Presidente da República, "o necessário" neste momento "é que aqueles que estão a negociar as coisas, nomeadamente o orçamento na especialidade, se entendam. Parece que se estão a entender e eu estou feliz por isso".
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