“Morremos nós ou os animais”
Ricardo Rodrigues tem uma exploração leiteira na Tocha. Ele é um dos agricultores do Baixo Mondego que lançaram "um grito de desespero" em Coimbra, numa manifestação que começou na segunda-feira e terminou ontem num hipermercado, onde adquiriram produtos nacionais.
"Não estou a conseguir escoar o produto. Tenho de deixar morrer as vitelas. Ou morrem as crias ou morro eu e a minha família à fome", diz Ricardo Rodrigues, adiantando: "O leite está tão barato que não dá para pagar a ração e manter os produtores." Os agricultores, que recebem em média 25 cêntimos por litro – mas o preço vai descer mais dois cêntimos –, consideram que só a cobrar 40 cêntimos conseguem manter a actividade. "Há gente a passar fome, que teve de tirar os filhos da escola e que está a viver problemas graves", conta Adriano Francisco, presidente da Cooperativa Agrícola de Arouca, onde "há produtores a receber 15 cêntimos por litro de leite".
"Não estamos a pedir mais dinheiro, nem que subam o preço dos produtos ao consumidor, estamos somente a pedir que se distribua o preço da crise pela produção, transformação e distribuição", lê-se numa carta que entregaram no Governo Civil de Coimbra.
A manifestação começou pelas 17h00 de segunda-feira, em Cantanhede, quando uma coluna com 170 tractores e máquinas agrícolas se dirigiu para Coimbra. Uma parte dos 500 agricultores e familiares que se manifestaram pernoitou em frente à Direcção Regional de Agricultura do Centro.
Ao final da manhã de ontem, os manifestantes dirigiram--se a um hipermercado e compraram 146 pacotes de leite e 150 quilos de arroz nacionais – para dar a instituições de solidariedade – em protesto contra a falta de escoamento dos produtos portugueses.
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