NORUEGUÊS E AMERICANO PARTILHAM NOBEL DA ECONOMIA

O norueguês Finn Kydland e o norte-americano Edward Prescott foram galardoados com o Prémio Nobel da Economia 2004 por pesquisas que conduziram a uma maior independência dos bancos centrais e a um melhor entendimento dos ciclos comerciais.

11 de outubro de 2004 às 14:26
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Kydland, 60 anos de idade, é professor nas universidades Carnegie Mellon e California. Prescott, 63, é professor na Universidade Estadual do Arizona e assessor da Reserva Federal em Minneapolis. Os dois vão partilhar um prémio monetário de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1,3 milhões de euros).

De acordo com o elogio feito no anúncio pela Academia Real das Ciências da Suécia, o trabalho de Kydland e de Prescott "não transformou apenas a investigação em economia, mas também influenciou profundamente a prática da política económica em geral e a política monetária em particular".

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No final da década de 70, princípio da década de 80, os dois investigadores transformaram o tradicional pensamento de análise da economia, que com o habitual enfoque nas alterações na procura, como investimento e consumo familiar, não conseguia explicar o fenómeno da "estagflação" - a combinação de inflação elevada com nenhum crescimento e desemprego alto.

Num artigo de 1977 sobre o "problema da consistência temporal", Kydland e Prescott provaram que os políticos têm tendência para abandonar os objectivos de longo prazo a favor de benefícios a curto-médio prazo, como por exemplo comprometerem-se a manter os preços estáveis, mas depois fomentarem a inflação para reduzir a dívida. Esta abordagem ajudou a dar relevo a instituições credíveis e independentes do poder político como fontes de políticas económicas, estabelecendo as bases, por exemplo, para a criação do Banco Central Europeu.

Em 1982, Kydland e Prescott criaram um modelo no qual demonstram que os choques no lado da oferta - tal como novidades tecnológicas - constituem uma força motriz do ciclo comercial e não apenas variações na procura. Ou seja, antes deste estudo os choques macroeconómicos eram apenas analisados como variações na procura, mas Kydland e Prescott demonstraram que esses choques podem ter efeitos muito mais abrangentes.

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Recorde-se que a Economia não era um dos Prémios Nobel originais. Foi instituído pelo Banco Central da Suécia em 1968 e atribuído pela primeira vez no ano seguinte. Oficialmente designa-se por Prémio do Banco da Suécia para a Ciência Económica, mas é conhecido por Nobel da Economia. O prémio em 2003 foi atribuído a Robert F. Engle e Clive W. J. Granger, por análises estatísticas ao nível dos estudos das séries temporais.

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