Novos certificados duplicam rendimento
Certificados do tesouro oferecem uma taxa de juro bastante mais atractiva do que aforros.
Os portugueses vão poder subscrever, a partir de 1 de Julho, certificados do tesouro. O novo instrumento de poupança, equivalente às obrigações do tesouro (OT) e bilhetes do tesouro, vedado aos pequenos investidores, vai oferecer mais do dobro dos juros do que os certificados de aforro.
Os certificados do tesouro têm uma taxa de remuneração indexada às obrigações do tesouro que na data de subscrição que, se for a 100%, significa que, a partir do quinto ano, o subscritor vai receber um juro de 3,903%, em termos brutos, se tomarmos o exemplo da taxa de ontem das OT a cinco anos. A série C dos certificados de aforro, a única que pode ser subscrita, tem uma taxa de juro de 1,822% brutos, já contando com o prémio de permanência. Isto significa que num investimento de mil euros, montante mínimo para os certificados do tesouro, os portugueses arrecadam um lucro de 39 euros ao ano, ao passo que no aforro esse montante é de 18 euros. A ambos aplica-se a taxa liberatória de 21%.
Existem actualmente 16,8 mil milhões de euros aplicados em certificados de aforro e 116,7 mil milhões em depósitos que poderão ser desviados, em parte, para os certificados do tesouro.
DEPÓSITOS A PRAZO*
Montante Min.(em euros)
* A 12 meses - **Taxa anual nominal bruta
Fonte: Deco Proteste (Maio)
PERGUNTAS E RESPOSTAS
– Qual o valor mínimo de subscrição?
– O montante mínimo é de 1000 euros e pode ser subscrito nos CTT e no IGCP, a partir de 1 de Julho. O valor máximo é de 1 milhão de euros por pessoa.
– Como se aplicam os juros?
– Até ao 5.º ano os juros têm como referência a taxa dos bilhetes do tesouro (BT) ou a euribor a 12 meses. No 5.º ano procede-se à distribuição da componente de juros correspondente à diferença entre a remuneração dos BT a 12 meses e das obrigações do tesouro (OT) a 5 anos. Nos seguintes, o retorno terá por base os juros das OT a cinco anos à data de subscrição. No 10.º ano procede--se à distribuição da componente de juros correspondente à diferença entre a remuneração da OT a 5 anos e das OT a 10 anos.
'INSTRUMENTO VAI MOBILIZAR PORTUGUESES PARA A POUPANÇA'
Para Leonor Coutinho, a criação deste novo instrumento de poupança vai 'mobilizar os portugueses para a poupança', mas alerta, contudo, que falta explicitar alguns pormenores nos certificados do tesouro (CT).
A vice-presidente da SEFIN, Associação Portuguesa de Defesa dos Consumidores de Produtos e Serviços Financeiros, salienta que apesar da remuneração estar indexada, a partir de uma certa maturidade às obrigações do tesouro, 'nada diz que seja uma indexação a 100%', o que pode baixar o lucro do investidor. Também a sucessão aos herdeiros, 'não é claro que não exista uma taxa'. Mesmo assim, a especialista considera que o CT é 'bom para o mercado financeiro'.
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