O GOVERNO DEVE PAGAR MULTAS
Cerca de mil produtores de leite do Norte e Centro do país manifestaram-se ontem, no Porto, contra as “quotas” nacionais de produção de leite que, quando ultrapassadas, obriga os produtores a pagarem pesadas multas.
Os produtores exigem que parte da produção leiteira dos Açores, na ordem das 100 mil toneladas, volte a ser considerada à parte e além da actual “quota” nacional, e que a quantidade de leite produzida acima da actual “quota” seja adquirida à produção pelo Governo português e entregue ao Banco Mundial contra a Fome.
Reclamam ainda que o Governo compre o gado bovino não incluído na produção leiteira e que disponibilize apoios financeiros para a recolha de leite nas regiões onde os circuitos de recolha não sejam rentáveis.
“Pretendemos a regionalização da “quota” nacional leiteira para impedir a “sangria” das regiões do interior para o litoral e a desertificação em certas regiões. Queremos também que seja aprovada e financiada a construção do Laboratório Interprofissional de Análises ao leite”, disse João Dinis, da CNA.
Alguns dos manifestantes já enfrentam situações de endividamento à banca, como confirmou ao CM Amélia Santos. “Como isso não bastasse, o dinheiro já é pouco para dar de comer à família. O leite não se vende e os subsídios do Estado estão atrasados”, disse Amélia Santos.
Os produtores queixam-se que os sucessivos governos e a União Europeia incentivaram os agricultores portugueses a produzirem mais e melhor, e agora, depois de grandes investimentos nas explorações leiteiras que atingiram bons níveis de produção, são obrigados a pagar multas.
Durante a manifestação, na qual foram distribuídas gratuitamente pequenas garrafas de leite, foi denunciado o encerramento de mais de 50 mil explorações leiteiras no País, e que a actual “quota” nacional de produção leiteira, no âmbito da PAC, é de 1 milhão e 870 mil toneladas, com inclusão da produção dos Açores na ordem das 500 mil toneladas.
Os produtores desfilaram por algumas ruas do Porto em direcção ao Governo Civil, onde uma delegação entregou um ‘dossier’ com as reivindicações. Igual ‘dossier’ foi de seguida entregue também ao Director Regional de Agricultura de Douro e Minho.
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