Ordem do Carmo cobra estacionamento

Há cerca de três semanas começaram a aparecer os primeiros parquímetros no Largo do Carmo, uma das poucas zonas na Baixa de Faro onde ainda não se paga para estacionar.

14 de fevereiro de 2011 às 00:30
LARGO DO CARMO, ESTACIONAMENTO, FARO, IGREJA Foto: direitos reservados
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Mas, ao contrário dos restantes parquímetros espalhados pela Baixa da cidade (geridos pela autarquia e a empresa Emparque), o CM apurou que a exploração está a ser promovida pela Ordem Terceira da Nossa Senhora do Carmo, proprietária do terreno.

Contactado pelo CM, o porta--voz da diocese do Algarve, Luís Galante, confirmou que se trata mesmo de uma iniciativa da Ordem.

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"O parque nas traseiras da Igreja do Carmo, que também é um parqueamento nosso, já é pago e, tal como foi feito antes, também queremos explorar este espaço, que é um terreno da Ordem", garantiu.

O "espaço" referido por Luís Galante é a zona circundante à Igreja do Carmo, até à lateral do bar e restaurante Seu Café.

A indignação dos moradores e de quem trabalha nas empresas dessa zona não se fez esperar e, numa semana, já corria um abaixo-assinado rubricado por 466 pessoas. O documento já foi entregue na Câmara Municipal de Faro e na Freguesia de São Pedro, organismo que já antes tinha tomado uma posição contra os parquímetros e apresentado à Comissão Municipal de Trânsito (ver caixa em cima).

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Um dos comerciantes da zona, que preferiu não se identificar porque tem "clientes da paróquia", garantiu que a entrada em funcionamento dos parquímetros "irá matar comércio e estrangular ainda mais o estacionamento".

"A IGREJA DEVIA AJUDAR NUMA ALTURA DIFÍCIL"

Uma das principais vozes contra a exploração do estacionamento é a de Vítor Lourenço, presidente da Junta de Freguesia de São Pedro, que entende que a posição da instituição não é a mais correcta. "Sempre pensei que o papel da Igreja fosse o de ajudar as pessoas e não complicar ainda mais a vida numa altura tão difícil economicamente", disse ao CM, deixando ainda críticas à câmara: "Já apresentei a minha posição contra a situação e disseram-me que o assunto ia ser avaliado. Mas o que não entendo é que se a igreja é dona do terreno, porque é que são as empresas da câmara a limpar as ruas e os passeios?", indaga.

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CÂMARA ANALISA SITUAÇÃO

Apesar de os parquímetros já estarem montados, o que é certo é que já passaram três semanas e ainda não foram activados.

A única declaração da Câmara de Faro acerca deste assunto é que a "situação está a ser analisada", não especificando quando o assunto estará resolvido.

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O CM sabe que poderão estar em cima da mesa algumas questões acerca da legalidade da exploração por parte da Ordem e o município terá uma palavra a dizer em relação ao tarifário praticado.

"Asseguro que a única razão porque os parquímetros ainda não estão a funcionar é apenas a nível técnico", afirma Luís Galante, porta-voz da diocese do Algarve. E realça: "Não iríamos contratar uma empresa para meter os parquímetros se não estivesse tudo como manda a lei".

"É uma negociação feita há anos e já vem, pelo menos, do executivo anterior ao que está actualmente na câmara. Já está tudo protocolado, licenciado e negociado", assegurou o porta-voz da diocese.

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