Ordenados no privado cada vez mais próximos do salário mínimo
Compressão salarial no privado pode desincentivar trabalhadores e prejudicar produtividade da economia. Diferença entre ordenado mínimo e mediano é de cerca de 100 euros.
Há cada vez mais portugueses com ordenados próximos do salário mínimo nacional (SMN). Esta é uma das conclusões que pode ser retirada da informação divulgada, esta segunda-feira, pelo Banco de Portugal (BdP), que antecipou alguns dos resultados do boletim económico de junho. A instituição, liderada por Álvaro Santos Pereira, recolheu microdados da Segurança Social, fez as contas e mostrou que, em 2025, o SMN já representava 91% do salário mediano, que está no meio da tabela de remunerações no setor privado. Em 2019, esta percentagem era de 87%.
O BdP constatou que "a distribuição salarial em Portugal tem registado uma compressão gradual nos últimos anos", uma vez que os ordenados mais baixos têm merecido maiores aumentos. Como consequência positiva, houve uma "redução da desigualdade" entre o que recebem mais e os que recebem menos. Mas também há riscos.
"A compressão da distribuição salarial em torno do SMN levanta questões importantes relativamente aos incentivos dos trabalhadores e à dinâmica da produtividade da economia", avisou o regulador da atividade bancária.
Em 2024, o Eurostat apontava Portugal como o país da Zona Euro com o mais elevado índice de Kaitz, que dá o rácio entre o salário mínimo e mediano. A diferença de um para o outro é de apenas cerca de 100 euros, segundo o 'Negócios'.
Recurso a intermediários
O BdP revelou também dados sobre o crédito pessoal, sobre o qual chegou à conclusão que o recurso a intermediários está associado a uma TAEG (custo total) mais alta do que na contratação direta na instituição.
Mais de metade
Em 2025, cerca de 51% do montante de crédito aos consumidores e de 56% do montante de crédito à habitação foi comercializado com a intervenção de intermediário.
Menor literacia financeira
De acordo com o BdP, o recurso a intermediários é mais provável para pessoas com menor literacia financeira, indivíduos mais velhos e com menor escolaridade.
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