Pobreza não poupa 12% de quem cresce com bom rendimento
Más condições económicas na adolescência fazem subir risco de pobreza para os 21,2%. Considerado no limiar de pobreza quem tenha rendimentos mensais abaixo de 591 euros.
Ter crescido numa família com boas condições económicas permite atenuar as situações de pobreza em idade adulta, mas não impede que um em cada 10 indivíduos (12% da população) com esse historial viva neste momento no limiar da pobreza. Contudo, essa condição cresce para 21,2% entre quem foi adolescente numa família de baixos rendimentos.
Os dados constam de um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre rendimentos e condições de vida, que abarcou a população portuguesa atualmente na faixa etária entre os 25 e os 59 anos, o que corresponde a 45,8% do total dos residentes no País no início de 2023 ou 4,8 milhões de pessoas.
A uma amostra representativa desta faixa etária foi pedido para descreverem, respondendo a um conjunto de perguntas, se a situação económica em que viviam aos 14 anos era muito má ou moderadamente má ou se era moderadamente boa, boa ou muito boa.
O risco de pobreza para quem cresceu em boas condições económicas é, concluiu o INE, de 12%, logo mais baixa do que aquela que se verifica entre a população em geral (17% em 2022). Quando a comparação é feita com quem cresceu em má situação económica, essa probabilidade sobe para os 21,2%.
Em Portugal é considerado no limiar de pobreza quem tenha rendimentos mensais abaixo de 591 euros.
As taxas são sobretudo elevadas entre quem, em casa, tinha falta de livros e equipamento escolar (32,1%) ou não via satisfeitas as necessidades de alimentação básicas (32,8%), mostram ainda os dados de inquérito levado a cabo pelo INE.
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