Portugal perde 670 milhões
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê mais desemprego e menos crescimento para Portugal, numa estimativa que aniquila por completo as previsões do Governo nas quais se baseiam o Orçamento do Estado e o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Só no crescimento da economia para 2010, o Governo previa mais 1171 milhões de euros em 2010, e o FMI diz para apenas contarmos com 502 milhões. Uma diferença de quase 670 milhões de euros.
A instituição liderada por Strauss-Kahn aponta para uma taxa de desemprego de 11% em Portugal até ao final deste ano, o que contrasta com a estimativa do Governo, de 9,8%. Também as previsões para o crescimento económico não são positivas, com o FMI a estimar uma subida de 0,3%, menos de metade do valor com que o Governo conta para 2010: 0,7%.
No espaço europeu, Portugal está no grupo dos sete países que mais fraco crescimento económico terão em 2010, ao lado da Grécia, Irlanda, Espanha, Islândia, Letónia e Lituânia. No resto do Mundo, só a Venezuela e Haiti têm um crescimento abaixo do estimado para Portugal, completando o grupo de nove países com uma recuperação anémica. O relatório alerta para o facto de Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha serem países que "têm de inverter rapidamente os seus elevados défices para responder às preocupações em torno da sustentabilidade das suas dívidas". Apesar do aviso, o FMI considera que não são os problemas da Grécia ou de Portugal que podem condicionar a sobrevivência do euro.
Vários economistas têm referido Portugal como o próximo país a chegar à grave situação das finanças da Grécia, algo que o Governo considerou "ignorante". O ex-ministro das Finanças, Campos e Cunha, critica essa posição. "A culpa [segundo o Governo] é de um complot mundial contra o euro e Portugal. Ou seja, as culpas são dos economistas portugueses que não desmentem e dos talibãs porque querem acabar com o euro. Os nossos governantes não têm responsabilidades, são vítimas", ironiza o ex-ministro.
PORMENORES
TRABALHO
Portugal tem cerca de 560 mil desempregados. Só no primeiro trimestre do ano, o Estado gastou 562 milhões de euros em subsídios de desemprego, o que dá cerca de 6 milhões por dia.
TRAGÉDIA
Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova Iorque, considera que "a tragédia grega poderá brevemente alastrar-se a um desastre nos PIGS", onde se inclui Portugal.
CINCO MESES SEM ORÇAMENTO DE ESTADO
Primeiro foram as maratonas negociais para conseguir um acordo à volta do Orçamento do Estado para 2010. Depois foram os debates no Parlamento. Quando o documento deveria ter seguido para Belém, uma queixa do PSD travou o processo. Feitas as contas, o País está há cinco meses sem Orçamentodo Estado (OE), estando apenasem vigor um regime de duodécimos. O OE já se encontra nas mãos de Cavaco Silva, que está a analisar o documento, e, ao que o Correio da Manhã apurou, ainda não há previsão de promulgação.
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