Portugal tem margem de manobra para lidar com crise

Comissário europeu da Economia defendeu que o País pode ter "alguma margem de manobra", mas admitiu impactos nos preços dos combustíveis e no poder de compra.

09 de abril de 2026 às 11:50
Portugal Foto: CMTV
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O comissário europeu da Economia defendeu esta quinta-feira que Portugal pode ter "alguma margem de manobra" para lidar com a crise causada pelo conflito no Médio Oriente, mas admitiu impactos nos preços dos combustíveis e no poder de compra.

"No que diz respeito especificamente a Portugal, o país tem, em geral, uma posição orçamental sólida, tendo inclusive registado um excedente orçamental no ano passado. Portanto, pode haver alguma margem de manobra", disse Valdis Dombrovskis, numa audição da comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

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Ainda assim, o responsável apontou que as medidas adotadas no país e em todos da União Europeia (UE) para responder aos impactos económicos da guerra no Irão devem ser "temporárias e direcionadas, para terem maior eficiência e também para mitigar o impacto orçamental".

Valdis Dombrovskis admitiu que "o primeiro canal pelo qual a crise energética ou as disrupções no fornecimento se fazem sentir é através da energia e, não menos importante, dos preços dos combustíveis, e depois esses impactos vão-se propagando para a economia em geral".

"E, obviamente, sempre que enfrentamos um período de inflação elevada, isso tem um efeito negativo sobre o poder de compra", pelo que é "importante que abordemos e também consigamos reduzir a inflação o mais rapidamente possível", apelou, falando em medidas como a redução da tributação. 

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O comissário europeu da Economia respondia à eurodeputada bloquista, Catarina Martins, que na sua intervenção apontou que "o custo de vida atingiu esta semana um recorde" já que "nunca o cabaz de produtos essenciais em Portugal esteve tão caro" e que "há pessoas que não conseguem verdadeiramente pôr combustível no carro".

Uma análise de cenários realizada pela Comissão Europeia aponta que, perante uma curta duração da crise energética, o crescimento da UE poderá ficar 0,2 a 0,4 pontos percentuais abaixo do previsto nas previsões económicas de outono, divulgadas em novembro passado.

Por seu lado, a inflação poderá subir até um ponto percentual. 

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Se as disrupções no fornecimento de energia forem mais prolongadas ou graves, o impacto será maior, de acordo com Bruxelas, que prevê que o crescimento poderá recuar 0,4 a 0,6 pontos percentuais, e a inflação aumentar entre 1,1 e 1,5 pontos percentuais, tanto em 2026 como em 2027.

Os impactos orçamentais serão avaliados nas previsões económicas que serão divulgadas pelo executivo comunitário em 21 de maio e no pacote de primavera do semestre europeu publicado em 03 de junho.

O conflito começou em 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, que retaliou com mísseis e drones, bem como com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, importante rota do petróleo mundial.

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Tal bloqueio causou forte alta nos preços de petróleo e gás, gerando volatilidade nos mercados de energia.

Os efeitos económicos globais também têm vindo a incluir pressão inflacionária, aumento dos custos de transporte e logística e instabilidade nos mercados financeiros.

Após mais de um mês de confrontos, o cessar-fogo provisório anunciado na quarta-feira trouxe algum alívio, mas a incerteza geopolítica e os impactos sobre cadeias de abastecimento e preços de energia devem persistir nos próximos meses.

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