O fiscalista incómodo que gostava de ter sido guarda-freio da Carris
Recorde a última grande entrevista de Medina Carreira à Sábado.
Quando precisa de dinheiro, Medina Carreira vai ao banco: passa os fins-de-semana a fazer números, mas ainda não se habituou às máquinas multibanco - prefere andar com dinheiro na carteira. No seu novo livro,
lançado esta semana, explica como o País chegou à situação em que está. Quando era ministro das Finanças - saiu com a primeira vinda do FMI -, passava quase todos os dias pelo Banco de Portugal, para ver a folha de caixa. "Aquilo era um horror", conta. É pontual, mas também se distrai: "Tenho nove pares de óculos, porque todos os dias perco dois." E passa a maior parte do tempo em casa. Há quem o conheça como pessimista, mas Medina Carreira chora facilmente. Só não tanto como o amigo Jorge Sampaio.
Nasceu em Bissau, na Guiné, em 1931. Como é que os seus pais foram viver para lá?
Os meus pais nasceram em Cabo Verde e só depois se mudaram. O meu pai foi parar à Guiné porque a mãe dele teve uma segunda gravidez e um dia ia a andar a pé numa ruela - vinha uma criança com um pau na mão e bateram um no outro - teve uma hemorragia e morreu. E o pai, que era da marinha mercante, desapareceu no mar. Aos 7 anos, o meu pai era órfão de mãe e de pai. Os meus avós já tinham emigrado para Cabo Verde.
Quem é que tomou conta do seu pai?
Foi mandado para Portugal para casa de uns tios muito pobres: o tio João, que trabalhava num talho na Praça da Figueira. Tinham três filhos, não conseguiram aguentá-lo, e aos 14 anos foi para a Guiné. Foi funcionário dos Correios - sabia morse - e fez carreira na administração colonial. Eu acabei por nascer lá.Clique para continuar a ler a entrevista
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