Sardinha autorizada em dois anos “é irrisória”

Pescadores da zona Centro do País e do Algarve lamentam interdição à captura.

13 de outubro de 2019 às 06:00
Pescadores deixaram de poder capturar sardinha. Agora, dedicam-se às redes Foto: Carlos Barros
Últimas sardinhas apanhadas Foto: Carlos Barroso
Alberto Cruz mestre da embarcação ‘comboio’ Foto: Carlos Barroso
Fernando Duarte, pescador de Alvor Foto: Carlos Barroso

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Os pescadores contestam a interdição da sardinha fixada por despacho do Governo, em vigor desde ontem, e frisam que os limites impostos à captura estão desfasados da realidade que encontram no mar.

"Há sardinha para carregar os barcos de norte a sul do País", desabafou ao CM Alberto Cruz, da embarcação ‘Mestre Comboio’, de Peniche, que defende uma "paragem menos prolongada" porque "a costa está cheia de sardinha".

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A posição é partilhada pela Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (Anopcerco), que entende que nos dois últimos anos as quantidades autorizadas foram "irrisórias".

Segundo Humberto Jorge, os dados mais recentes dos cruzeiros de investigação científica, destinados a avaliar os juvenis de sardinha nas águas atlânticas da Península Ibérica "são muitos claros sobre a significativa melhoria da quantidade de sardinha adulta existente".

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O dirigente defende para 2020 uma possibilidade de pesca na ordem das 19 mil toneladas de sardinha para Portugal e Espanha, mais do que o dobro da atual quota, de 9 mil toneladas. Em 2019 a pesca da sardinha teve início a 3 de junho, durando quatro meses e uma semana por se ter atingido o limite. "Ainda ontem uma traineira apanhou sardinha que dava para quatro ou cinco barcos", assegurou João Alves, do armazém de comércio de peixe fresco Xadeca, em Peniche.

No Algarve, os pescadores compreendem a necessidade do defeso, mas defendem que deveria ser "mais curto". O mestre Fernando Duarte, de Alvor, confirma que "há muita sardinha" e que "toda a que é atirada ao mar acaba por morrer".

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, antevê um aumento da espécie. "Os dados que temos são animadores. As indicações dos cruzeiros científicos do IPMA são que há mais sardinhas e mais juvenis."

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DEPOIMENTOS

Alberto Cruz mestre da embarcação ‘comboio’

"É preciso uma paragem menos prolongada"

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"É preciso uma paragem menos prolongada porque a costa de Peniche está cheia de sardinha. Em todos os dias que saímos com as embarcações não foi preciso ir para longe para a apanhar."

Fernando Duarte pescador de alvor

"Só compensa se o barco trabalhar todo o ano"

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"As embarcações só estão a trabalhar durante seis meses por ano e muitos pescadores não têm direito a receber o fundo de desemprego. A atividade só compensa se o barco trabalhar durante todo o ano."

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