Setor do vinho está com o negócio pela metade devido ao coronavírus

Problema coloca-se aos pequenos produtores se restauração não regressar.

12 de abril de 2020 às 09:29
Setor do vinho Foto: Nuno André Ferreira
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Os produtores de vinho portugueses estão a registar quebras acima dos 50% devido à pandemia de coronavírus. O cenário é confirmado ao CM pelos profissionais e por uma das associações que representa o setor, a ACIBEV.

Além das barreiras nas exportações, o fecho de hotéis e restaurantes e a quebra do turismo pesaram em força. Pedro Cavaleiro, da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, que junta 250 produtores, diz que este canal de vendas "está parado".

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Já a secretária-geral da ACIBEV, Ana Isabel Alves, explica que o setor está a trabalhar a "metade do ritmo normal" e recorda a quebra das últimas semanas. "Havia supermercados a pedir para entregar as encomendas mais tarde, por falta de espaço para bens alimentares e de higiene." Contudo, é na grande distribuição que está uma das esperanças do setor. "As pessoas começam a comprar vinho nos supermercados", conta Ana Matias, do Parras Wine, que produz vinhos em seis regiões do País.

"O consumo privado está a aumentar. Ou é da ansiedade ou para relaxar a cabeça [do isolamento]", confirma Diogo Mexias, da Colinas do Douro. Como ele, muitos produtores lançaram lojas online e assumiram as entregas aos clientes. A decisão é tomada para tentar fidelizar clientes, já que as vendas continuam a ser residuais.

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Os empresários têm optado por manter as equipas no terreno. "Estão a trabalhar todos, com as devidas recomendações de segurança", conta Alexandre Relvas, da Casa Relvas. Por ano, produz cerca de seis milhões de garrafas.

O armazenamento não é, para este grande produtor, um problema. Contudo, os produtores com pequenas adegas podem enfrentar um cenário diferente. "Se as coisas não se normalizarem, a questão vai colocar-se assim que a vindima começar", avisa Ana Isabel Alves.

China já voltou a encomendar

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A esperança dos produtores está na recuperação das exportações. "A China está a começar a fazer encomendas, mas abrandou muito", diz Diogo Mexia, da Colinas do Douro. Também Alexandre Relvas, da Casa Relvas, confirma o regresso às vendas para a China neste mês. "Os mercados nórdicos estão a consumir bem e o centro da Europa a estabilizar", conta.

SAIBA MAIS 

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milhões de euros foi valor exportado pelo setor no ano passado, o que representa um aumento homólogo de 2,5%. Foram quase 296 milhões de litros a cruzar fronteiras. Os produtores conseguiram melhorar o valor pago por cada litro.

França, EUA, Reino Unido, Brasil, Alemanha, Canadá, Bélgica, Países Baixos, Angola e Suíça são os principais importadores.

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