Tabaqueira na Polónia
A Tabaqueira vai deslocar serviços para a Polónia. A medida leva ao despedimento, este ano, de dez funcionários da área administrativa. Para o membro da direcção do Sindicato de Alimentação e Tabacos, Mário Rui Lopes, a solução da administração da empresa é também consequência da guerra de preços existente em Espanha.
Rui Lopes acusa ainda “a política de saúde do Governo de desincentivo para o consumo de tabaco como responsável pela perda de postos de trabalhos”.
“O Governo segue uma política cega de tapar os buracos orçamentais com sucessivos aumentos do tabaco pelo que encaramos com muita preocupação o futuro do sector que emprega cerca de mil pessoas altamente especializadas”, referiu.
Segundo o sindicalista, o agravamento do preço provoca uma redução do consumo nacional com a consequente perda de postos de trabalho. “Olhamos o futuro com muita apreensão depois da saída destes dez funcionários. Com o agravamento da quebra das vendas resultante da guerra de preços em Espanha tememos que mais pessoas venham a ser despedidas na área da produção”, disse.
COMPRAR EM ESPANHA
Mário Rui Lopes entende que a venda de tabaco em Espanha a um preço mais barato, que chega aos 55 cêntimos por maço, irá criar uma quebra na produção nacional. E também numa redução da recolha de impostos por parte do Estado, pois “estes maços de cigarros não pagam imposto no nosso país”, disse.
“A desvinculação da empresa de dez dos seus trabalhadores efectivos” resulta – segundo revelou a Philip Morris Internacional, de que a Tabaqueira é uma afiliada – da concentração de algumas das suas actividades administrativas em Cracóvia (Polónia). O administrador-delegado, Jon Ruiz, não apontou assim à quebra da produção nacional resultante do agravamento dos preços em Portugal e redução dos mesmos em Espanha a causa para estes despedimentos.
Segundo a empresa, “a Tabaqueira dará todo o apoio que estiver ao seu alcance aos trabalhadores que tiverem de deixar a empresa quer financeiramente quer em termos de assistência na procura de um novo emprego”.
A Tabaqueira não vai, a exemplo de Espanha, efectuar uma redução no preço dos maços. Segundo explicou fonte do gabinete de comunicação, “em Portugal a carga de impostos é da ordem dos 80 por cento pelo que não dá margem de manobra para mexer nos preços”. A mesma fonte precisou que em Espanha a carga fiscal é de 70 por cento.
Afastada está também a hipótese de colocar no mercado nacional uma marca mais barata. No nosso país o maço mais barato custa 2,75 euros. Em Espanha o mais económico, Coronas, vale 1,25 euros.
AUMENTO DE IMPOSTO PARA REDUZIR CONSUMO
O presidente do Conselho de Prevenção do Tabagismo, Paes Clemente, considera que Portugal está no caminho certo ao seguir uma política de reforço da carga fiscal sobre o tabaco. “Uma das políticas para diminuir o consumo de tabaco é o aumento dos impostos sobre o tabaco. Um aumento de 35 cêntimos está certo e seguro e obedece às recomendações da Comissão Europeia e da Organização Mundial de Saúde.” Paes Clemente, um dos parceiros do conselho consultivo da Direcção-Geral de Saúde na elaboração da lei antitabaco defende que uma das prioridades do Estado deve ser proteger o fumador passivo, acreditando que no primeiro semestre deste ano deverá ser criada legislação nesta área. A lei antitabaco permanece, no entanto, na gaveta. Uma das propostas da Tabaqueira para a redução do consumo é aumentar de 16 para 18 anos a idade mínima para a compra de cigarros.
ESPANHA DESCE
A Espanha introduziu em Janeiro medidas restritivas ao tabaco e reforçou a carga fiscal. A Philip Morris fabricante do líder de mercado, Marlboro, com uma quota de 17% decidiu baixar os preços. A Altadis, detentora da segunda marca mais vendida, Fortuna (15%), recuou nos anteriores aumentos e optou pela descida. A Japan Tobacco International (Winston e Camel) tomou idêntica medida que também deverá ser adoptada pela BAT (Lucky Strike).
PORTUGAL SOBE
Em sentido inverso, no nosso país, o preço dos maços de cigarros sofreram um agravamentos de 35 cêntimos. A primeira consequência foi o aumento da procura nas povoações espanholas de fronteira.
VER AS DIFERENÇAS
Um maço de Marlboro custa agora no nosso país 2,90 euros, do outro lado da fronteira é 2,35 (menos 55 cêntimos). O Chesterfiel 2,80 em Portugal e 2,35 em Espanha. O LM 2,75 no nosso país e 1,75 em Espanha.
CONTRABANDO
As autoridades temem a proliferação do contrabando entre os dois países com perdas em impostos para os cofres do Estado português estimadas entre 60 a 90 milhões de euros. Até final do ano, o mercado ilícito rondará os mil milhões de cigarros. Cinco por cento da produção anual da Tabaqueira.
SAÚDE QUER MAIS
As medidas antitabágicas são limitadas mas contribuem para reduzir a doença pulmonar obstrutiva crónica, admitiu o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Segorbe Luís.
CARGA FISCAL NOS CIGARROS EM 2005 EM VÁRIOS PAÍSES DA UNIÃO EUROPEIA
- Áustria: 75,37 por cento.
- Bélgica: 74,99 por cento.
- Alemanha: 74,52 por cento.
- Dinamarca: 76,05 por cento.
- Grécia: 73,47 por cento.
- Espanha: 71,42 por cento.
- Finlândia: 75,60 por cento.
- França: 80,39 por cento.
- Irlanda: 78,36 por cento.
- Itália: 75,17 por cento.
- Luxemburgo: 69,02 por cento.
- Países Baixos: 73,06 por cento.
- PORTUGAL: 78,97 por cento.
- Suécia: 75,60 por cento.
- Reino Unido: 78,01 por cento.
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