Terrenos à venda para reduzir dívida
Está num impasse o empréstimo de 48 milhões de euros que a Câmara Municipal de Faro quer formalizar junto da banca. Trata-se de parte essencial do Plano de Reequilíbrio Financeiro para amortizar o passivo que ronda os 66 milhões de euros. Os bancos não estão disponíveis para emprestar a totalidade da verba e o Tribunal de Contas está a demorar a dar o aval ao processo.
"Temos propostas aprovadas para um empréstimo de 16,6 milhões de euros, mas o processo está pendente da aprovação do Tribunal de Contas", explica Macário Correia, presidente da Câmara, admitindo ser "muito difícil" que a banca aprove o empréstimo total de 48 milhões, que a autarquia pretendia, para equilibrar a situação financeira.
Perante este cenário, o município vai colocar em hasta pública mais oito lotes de terreno e dois prédios urbanos, com bases de licitação que totalizam cerca de 13,5 milhões de euros.
À venda está o antigo Magistério Primário e a Escola Profissional D. Francisco Gomes de Avelar (com base de licitação de 1.180.000,00 euros) e lotes de terreno na Conceição de Faro, no Montenegro, em Estoi, na Penha, na Lejana de Baixo, em Santa Bárbara de Nexe e ainda a antiga fábrica de cerveja, no núcleo histórico da cidade.
As propostas podem ser formalizadas até 3 de Novembro e a licitação será feita no dia seguinte. No entanto, a maioria dos terrenos colocados à venda, nos últimos meses, não teve qualquer proposta.
"É mais uma tentativa para arranjar receitas de forma a minimizar o actual passivo de curto-prazo, de 30 milhões, e de médio-prazo, de 36 milhões", diz Macário Correia. "Já conseguimos cerca de 1,5 milhões com a alienação de alguns terrenos [no Montenegro eno Rio Seco] mas precisamos de mais, para podermos liquidar as dívidas de curto-prazo de 2001 a 2009", adianta o autarca do PSD.
ASSOCIAÇÕES EM RISCO POR FALTA DE APOIO CAMARÁRIO
As dificuldades financeiras, da câmara, obrigaram ao corte no apoio a clubes e associações, que agora enfrentam grandes problemas económicos, reduzindo as suas actividades. Algumas têm mesmo em causa, até, a sua continuidade. É o caso do Coral Ossónoba, que tem ainda 12 mil euros a receber, referentes a 2009. "O grupo está descapitalizado, numa situação muito complicada e já há directores a meterem dinheiro para o coral funcionar", diz António Jesus, maestro do Coral Ossónoba.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt