Terrenos em saldo para atrair empresas

A Câmara Municipal de Portalegre está a apostar forte no alargamento do seu parque industrial. Os preços, simbólicos segundo a autarquia, variam entre um e cinco euros por metro quadrado, consoante o número de postos de trabalho criados.

02 de abril de 2006 às 00:00
Terrenos em saldo para atrair empresas Foto: Manuel Isaac
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Com um investimento total de 6,1 milhões de euros, o município acrescentou 294 lotes infra-estruturados aos 155 já existentes na zona empresarial.

“Cada posto de trabalho criado pelas empresas que adquirirem estes novos lotes reduz quatro por cento ao seu valor-base [cinco euros por metro quadrado]. Com vinte ou mais postos de trabalho uma empresa pode adquirir um espaço por um euro por metro quadrado de terreno infra-estruturado”, disse Luís Calado, vereador da autarquia local responsável pela área do urbanismo e obras de iniciativa municipal.

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Os 294 lotes criados têm áreas que variam entre os 1550 e os 67 mil metros quadrados, sendo que mais de metade, cerca de 150 já foram solicitados. As intenções de instalação na nova área industrial têm partido, segundo a autarquia de vários géneros industriais e empresariais, mas com especial predominância de empresários locais e indústrias afectas à região.

O ramo da cortiça é um dos que mais se sente atraído por esta oportunidade. Situada em pleno ‘filão nacional’ (região centro sul) desta matéria-prima, a AP Carvalho Cortiças, empresa local, vai criar uma nova unidade de preparação com cerca de dois hectares e que vai criar dez novos postos de trabalho. Outra empresa, a Incitatus, ligada à equitação, é um dos casos mais peculiares desta nova realidade industrial da região. Para além da deslocação da empresa da zona de Lisboa para o Alentejo, todos os seus trabalhadores e respectivas famílias, num total de 16 pessoas, se vão mudar para Portalegre.

“Vamos mudar porque a cidade oferece melhores condições ao nível da redução dos custos e de bem-estar comparativamente à situação actual”, disse Vera Pereira, uma das proprietárias da Incitatus.

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Mata Cáceres, presidente da Câmara de Portalegre explicou ao CM que era intenção da autarquia ter arrancado para este alargamento da zona industrial há vários anos, mas que só agora foi possível e que este é um passo fundamental para o desenvolvimento do distrito. “Só apostando no que é realmente nosso podemos evoluir, e por isso criámos estas condições especiais”, frisou o autarca.

MORADA NOVA PARA ROBINSON

A Robinson, fábrica transformadora de cortiça com mais de 160 anos de existência, situada no centro histórico da cidade e um dos ‘postais ilustrados’ de Portalegre, irá mudar de instalações para os novos terrenos do parque industrial, estimando-se um início de actividade para 2007.

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Carlos Melancia, director e principal accionista da empresa diz que esta mudança é positiva numa dinâmica de desenvolvimento e aumento de produtividade, visto que as actuais instalações não permitem a expansão da actividade por se encontrarem ultrapassadas. “Actualmente temos um volume de negócios que varia entre os três e os quatro milhões de euros por ano. Com a nova unidade em poucos anos podemos aumentar esse volume para cerca de 12 milhões”, acrescentou.

ÁREA ALARGADA

A zona industrial de Portalegre tem actualmente 45 hectares divididos em 155 lotes. Com a infra-estruturação de mais 294 lotes, o parque ficará com um total de 205 hectares, 205 campos de futebol.

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RIQUEZAS LOCAIS

Os investimentos estão a surgir, sobretudo da região de Portalegre, e exploram as riquezas locais. Silvestre Gonçalves vai abrir uma pequena fábrica de produção de enchidos certificados.

ENERGIA ALTERNATIVA

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A autarquia aposta nas energias alternativas e adiantou que será criada uma central de produção de energia através de biomassa. Existe a possibilidade de implantação de uma central termoeléctrica e uma fotovoltaica.

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