Vende peixe fresco às grandes superfícies
A Portipesca compra pescado nas principais lotas do País e do sul de Espanha para abastecer grandes superfícies e fábricas de conserva. Volume de negócio está a crescer e este ano já atinge 4,7 milhões de euros
Quando tinha dez anos, António Santos já ia à pesca com o pai. Cresceu numa família de pescadores junto à lota de Portimão. Actualmente, é um dos maiores comerciantes de peixe do país, ao lado do sócio João Miguel Duarte, com quem criou a empresa Portipesca, em Portimão. Fornece pescado a cerca de 80 clientes, em Portugal e Espanha, sendo que as grandes superfícies comerciais absorvem 65% das vendas. Em 2011, o volume de negócio atingiu os 3,7 milhões de euros. Este ano, até Setembro, já ultrapassou os 4,7 milhões de euros.
A história da Portipesca começou em 2000, quando António Santos percebeu que o negócio do peixe gerava muito dinheiro. "Tivemos dois barcos em Marrocos e pescávamos uma média de 37 toneladas de peixe--espada por semana", recorda o empresário algarvio, que depois se voltou para a compra de pescado em grandes quantidades nas principais lotas do País e em Espanha. Procura sempre "o melhor preço" e, acima de tudo, "produtos frescos". Entre o peixe que a empresa comercializa diariamente, a sardinha está no topo da lista. Mas também muito carapau, polvo e ainda o considerado peixe grosso: sargos, pargos, douradas, corvinas ou garoupas.
Inicialmente, a Portipesca vendia apenas para pequenos clientes e intermediários, que depois comercializavam com as grandes superfícies. Mas, nos últimos anos, começou a fornecer fábricas de conserva de peixe e a negociar directamente com os grandes grupos retalhistas, que gerem hipermercados por todo o País, em especial as unidades da marca Recheio.
"Com as grandes superfícies temos uma margem de lucro mais baixa mas como eles compram sempre grandes quantidades o negócio é certo e compensa", admite António Santos, que explica o circuito do pescado: "Compramos as várias espécies de peixe nas lotas assim que os pescadores chegam do mar, de manhã ou à tarde. No dia seguinte, o produto já está a ser vendido fresquinho nas grandes superfícies", mas alerta que o comércio de peixe é uma incógnita diária. "Este negócio é diferente de todos os outros. Nunca sabemos a quantidade de peixe que vamos comprar porque a pesca é uma incógnita. Um dia negociamos 10 toneladas, no dia seguinte apenas uma", exemplifica o empresário. "Temos de jogar com os preços, saber onde está o mais barato e de qualidade. Um dia podemos facturar milhares. Se correr mal, podemos perder dinheiro. O negócio do peixe é como jogar na bolsa", compara António Santos, assumindo que no mês de Agosto já chegou a facturar "um milhão de euros".
Mas trabalhar na área não é fácil. No Verão, a altura de maior procura de peixe, a empresa fecha "apenas três horas por dia" e alguns empregados têm de trabalhar "dez por dia". A empresa conta com 20 funcionários e seis comissionistas. Tem uma sociedade com o armador de uma embarcação que se dedica à pesca da sardinha e distribui o pescado através de uma frota de quatro camiões e dez carrinhas.
Apesar de o sector da pesca gerar milhões, António Santos lamenta que o investimento seja "muito reduzido", em especial na região do Algarve, onde no seu entender existe "o melhor peixe do Mundo".
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