Wall Street de novo no 'vermelho' com impasse no Médio Oriente
Anúncio de conversações com o Irão por Donald Trump, na segunda-feira, desencadeou uma onda de otimismo nos mercados financeiros, mas que esmoreceu devido aos desmentidos iranianos.
A bolsa nova-iorquina encerrou esta terça-feira em baixa, anulando parte dos ganhos da primeira sessão da semana, com os investidores desconfiados de anunciadas perspetivas negociais para resolução do conflito no Médio Oriente.
Os resultados da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average caiu 0,18%, encerrando nos 46.124 pontos, enquanto o índice tecnológico Nasdaq perdeu 0,84 %, para as 21.761 unidades; e o alargado S&P500 recuou 0,37 %, para os 6.556 pontos.
Patrick O'Hare, analista da Briefing.com, afirmou à AFP que os mercados estão a reagir negativamente ao "impasse quanto à evolução da guerra com o Irão", ignorando os anúncios do Presidente norte-americano quanto a negociações com Teerão, quando o conflito no Médio Oriente está prestes a completar um mês, dia 28.
O anúncio de conversações com o Irão por Donald Trump, na segunda-feira, desencadeou uma onda de otimismo nos mercados financeiros, mas que esmoreceu devido aos desmentidos iranianos.
"Persiste um certo ceticismo quanto à rapidez com que esta guerra poderá terminar e à forma como terminaria", sublinhou Patrick O'Hare.
"Há muitas questões que permanecem sem resposta", sublinhou o analista.
Jose Torres, analista da Interactive Brokers, observou um "contraste" entre o mercado bolsista norte-americano, que ensaiou várias subidas ao longo do dia, e os "mercados obrigacionistas e de matérias-primas, que demonstram grande cautela".
Donald Trump insistiu esta terça-feira que há negociações em curso para alcançar um acordo sobre a guerra desencadeada em conjunto com Israel contra o Irão, que tem "um presente muito grande" para oferecer a Washington.
"O que disse ontem [segunda-feira] é absolutamente verdade. Estamos em negociações neste momento", afirmou Donald Trump em declarações aos jornalistas na Casa Branca.
O líder norte-americano indicou que o seu enviado Steve Witkoff, o seu genro Jared Kushner, o vice-presidente, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, estão envolvidos no processo de diálogo, até agora negado por Teerão.
Sem apresentar detalhes, descartou que o suposto presente esteja ligado ao programa nuclear iraniano, mas admitiu que está "relacionado com o fluxo de petróleo e gás no Estreito de Ormuz", colocado sob ameaça militar por Teerão, o que fez disparar os preços de hidrocarbonetos à escala global.
"Ontem [segunda-feira] fizeram algo incrível. Na verdade, deram-nos um presente, e o presente chegou hoje. Foi um presente muito grande, de enorme valor económico. Não vou dizer qual é o presente, mas foi muito significativo. E deram-nos", afirmou.
O Presidente norte-americano acrescentou que se trata de "um gesto muito gentil", que demonstra que a Casa Branca está a "lidar com as pessoas certas", e ao mesmo tempo um sinal de que o Irão "chegará a um acordo" para pôr fim ao conflito iniciado pela ofensiva aérea israelo-americana em 28 de fevereiro.
O Presidente norte-americano anunciou na segunda-feira um prolongamento de cinco dias no prazo de 48 horas que estabelecera dois dias antes para começar a atacar instalações energéticas iranianas, caso Teerão não desbloqueasse o Estreito de Ormuz.
Mais tarde, indicou que Washington e Teerão tinham encontrado "pontos de concordância importantes" durante negociações com um representante iraniano que não identificou.
O Paquistão confirmou esta terça-feira que lidera uma iniciativa de mediação, juntamente com a Turquia e o Egito, para pôr fim à guerra.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou na rede social X que, "com a aprovação dos Estados Unidos e do Irão, o Paquistão está disposto e honrado para acolher negociações significativas e conclusivas que permitam uma solução abrangente" para o conflito em curso.
A embaixada iraniana no Paquistão considerou a oferta de negociações dos Estados Unidos como "uma farsa", negando qualquer diálogo com Washington.
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