Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
3

Moody’s baixa rating de Portugal

A agência de notação financeira Moody’s baixou ontem o rating de seis países europeus, entre os quais Portugal, cuja classificação desceu de um nível de Baa3 para Baa2 (lixo). No caso de Espanha, a queda foi de dois níveis: de A1 para A3.
14 de Fevereiro de 2012 às 01:33
Portugal não convence agências de rating
Portugal não convence agências de rating FOTO: d.r.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, a Moody's revela que os 'ratings' de Portugal e de Itália foram cortados em um nível, para Ba3 e A3, respetivamente, e o de Espanha em dois níveis, para A3. No caso da Eslováquia, da Eslovénia e de Malta, a agência baixou as notas atribuídas em um nível: para A2 nos dois primeiros casos e para A3 no caso de Malta.

A Moody's refere que as perspectivas mantêm-se negativas para estes seis países, devido à "continuada incerteza sobre as condições de financiamento nos próximos trimestres e ao correspondente impacto no crédito".

Quanto aos três países cuja nota máxima está agora ameaçada - França, Reino Unido e Áustria - a Moody's alterou também as perspetivas para terreno negativo, justificando que essas "perspetivas refletem a presença de um número de pressões de crédito específicas que vão exacerbar a suscetibilidade das balanças comerciais destes países e dos seus programas de austeridade em curso".

Quanto a Portugal, a agência de notação financeira mantém as perspetivas negativas do 'rating' da dívida pública refletindo "o potencial de um declínio maior nas condições económicas e de financiamento, em resultado da deterioração da crise de dívida na área do euro".

"A Moody's espera que a economia portuguesa contraia em mais de três por cento [do Produto Interno Bruto - PIB] em 2012, tendo em conta os riscos da região, incluindo o impacto da desalavancagem em curso no setor financeiro privado e o impacto imediato das medidas de austeridade do Governo", lê-se na nota da Moody's.

A agência prevê que o desemprego continue elevado, que a procura interna encolha e que o comércio externo de Portugal abrande este ano, o que vai minar as exportações, "o único motor do crescimento do PIB desde a recessão de 2009".

No entanto, diz a agência, há também razões para que o corte do 'rating' de Portugal tenha sido limitado a um nível.

"Em primeiro lugar, o sucesso do Governo em cumprir os objetivos orçamentais" fixados pelos credores internacionais (Fundo Monetário Internacional, FMI, e União Europeia, UE), aponta.

"A segunda razão (...) é a expetativa da Moody's de que o Governo português vai alcançar uma correção do saldo estrutural em 2011 equivalente a cerca de quatro por cento do PIB, o que o FMI considerou ser o maior ajustamento em Europa em 2011", refere ainda a agência.

Também o facto de o Executivo estar a "desenhar e implementar um conjunto suplementar de reformas que pretendem impulsionar a taxa de crescimento potencial da economia" foi um motivo para que a Moody's não cortasse o 'rating' de Portugal em mais níveis.

"O Governo português, ao contrário do da Grécia, tem conseguido garantir a cooperação de um largo segmento da força de trabalho para estas reformas", considera.

Moody Notação Troika Mercados
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)