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Correio da Manhã

Economia
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1/3 das empresas querem despedir

Um terço das empresas em Portugal estima reduzir "de forma significativa" o número de trabalhadores. Os sectores mais afectados com esta decisão serão a Banca e as empresas de serviços informáticos.

16 de Agosto de 2009 às 00:30
Sectores da Banca e de serviços informáticos são os mais afectados
Sectores da Banca e de serviços informáticos são os mais afectados FOTO: d.r.

Segundo um estudo da consultora Mercer, sobre gestão em tempos de crise, cerca de um terço das empresas em Portugal inquiridas no 1º trimestre do ano apostava ainda em alterar a estrutura de trabalho de forma a incluir mais trabalhadores temporários ou em part-time. E, havendo despedimentos, a renovação de quadros parece não ser a prioridade. A contratação abaixo dos níveis de substituição ultrapassa os 73% da vontade das empresas no País.

A piorar o cenário, há ainda a posição sobre os benefícios de saúde. Por causa da crise, são cada vez mais as empresas que estão a optar pela partilha de custos destes programas com os colaboradores, de forma a controlar as despesas.

Tudo porque 75% das empresas considera que não chegarão ao final de 2009 com os mesmos níveis de performance financeira com que fecharam 2008, um ano em que o mundo empresarial já sentiu os efeitos da crise.

O estudo mostra que Portugal não foge à tendência mundial no que toca às estratégias empresariais para fazer face à crise. Das mais de mil empresas consultadas, dois terços já tinham reduzido o número de trabalhadores nos últimos seis meses. Até 2010 a tendência de cortes irá manter-se.

MEIO MILHÃO SEM TRABALHO

A taxa de desemprego atingiu os 9,1 por cento no segundo trimestre deste ano. O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou na sexta-feira que há em Portugal 507 mil pessoas sem emprego, valor máximo desde 1987.

No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego calculada pelo INE foi de 8,9 por cento. O Instituto assinala que, relativamente ao período homólogo de 2008, a taxa cresceu 1,8 pontos percentuais.

A população desempregada aumentou 23,9 por cento face ao segundo trimestre do ano passado (98 mil pessoas) e 2,4 por cento em relação ao primeiro trimestre deste ano (mais 11,9 mil desempregados). O INE sustenta que o crescimento do desemprego entre os homens explica 71 por cento do aumento da taxa global. A taxa pode chegar ao final do ano nos 10%, segundo economistas.

SAIBA MAIS

CORTES VÃO CONTINUAR

58% das empresas no Mundo admite continuar o corte de pessoal nos próximos seis meses. Só 5% pondera cortes radicais (em mais de 10% dos funcionários).

51%

das empresas inquiridas congelou, nos últimos seis meses, salário nos níveis de 2008 a pelo menos uma parte dos colaboradores; 32% congelou totalmente os aumentos.

76%

das empresas do País diz ter a intenção de reduzir aumentos para 2009 face ao previsto. E 64% tenciona cortar bónus.

NOVO REAJUSTAMENTO

Após examinar os resultados do 3.º trimestre, quase dois terços das empresas mundiais vão provavelmente reduzir os bónus em 2009.

"HÁ EMPRESAS QUE APÓS O VERÃO NÃO VOLTAM A ABRIR" (João Proença, Líder da UGT Sobre estudo da Mercer)

Correio da Manhã – Segundo um estudo 1/3 das empresas pondera cortar os postos de trabalho em 2009. É um mau sinal?

João Proença – Podemos dizer que a redução mais significativa já terá ocorrido no início do ano. Ainda assim, admitimos que no final do Verão pode ocorrer uma diminuição efectiva em algumas empresas. Em termos globais, poderá haver um aumento do desemprego até ao final do ano, mas não será significativo.

– Porque espera uma subida após o Verão?

– Temos de ter presente que há empresas que fecham durante o mês de Agosto e temos receio de que já não voltem a abrir.

– De que outra forma podem as empresas cortar custos?

– Uma das formas passa pela adaptabilidade dos horários de trabalho, que deverá ser acertada em negociação colectiva.

– Mas as empresas não estão a cortar benefícios na saúde e nas pensões, mas antes a dividir custos? Isto é positivo?

– Na Saúde, a maior parte dos encargos acabam por ser atribuídos ao Estado. Nas pensões é que tem havido negociações dos mecanismos complementares para diminuir encargos.

 

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