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Correio da Manhã

Economia
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2000 empregos ameaçados na TAP

Reestruturação imposta pela Comissão Europeia vai provocar uma redução no número de postos de trabalho.
António Sérgio Azenha e Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 4 de Julho de 2020 às 09:50
TAP
António Costa , chefe do Governo
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António Costa , chefe do Governo
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António Costa , chefe do Governo
A reestruturação da TAP poderá implicar a dispensa de cerca de dois mil trabalhadores. Ao que o CM apurou, esta redução no número de postos de trabalho poderá ocorrer se a Comissão Europeia impuser uma redução na ordem de 20% na dimensão da atividade operacional da TAP.

O próprio primeiro-ministro deixou esta sexta-feira claro que não vale a pena ter ilusões sobre os efeitos da reestruturação na TAP. “Todos sabem que, para haver agora esse financiamento [do Estado], a reestruturação vai ter de existir, implicando seguramente uma diminuição do número de rotas da TAP, uma diminuição do número de aviões da TAP, o que necessariamente terá consequências sobre o emprego da TAP”, afirmou António Costa aos jornalistas, na Assembleia da República, após a aprovação da proposta do Orçamento Suplementar para 2020.

O plano de reestruturação da TAP tem de ser aprovado até ao final deste ano. Ao que o CM apurou, uma redução da capacidade operacional da TAP superior a 20% poderá colocar em causa a competitividade da companhia aérea no mercado internacional. O grupo TAP tem cerca de 12 mil trabalhadores. 

A competitividade da TAP está concentrada nas ligações aéreas intercontinentais.

Bloco pede auditoria à gestão privada
O Bloco defende a realização de uma auditoria à gestão privada da TAP, considerando que falta o Governo esclarecer o plano estratégico que tem para a empresa. “É importante que o País perceba exatamente o que é que se passou durante a gestão privada” disse Isabel Pires.

Ajuda pública atinge 1,2 mil milhões
O Estado vai conceder à TAP um empréstimo de 1,2 mil milhões de euros. A ajuda financeira permitirá à companhia aguentar a crise financeira causada pela pandemia do novo coronavírus. O dinheiro permitirá à empresa funcionar até junho de 2021.

Ministro deixa alerta sobre dificuldades e incerteza no futuro
O ministro das Infraestruturas já alertou que na TAP "o futuro é incerto"e a situação vai ser politicamente difícil. Na noite do anúncio do acordo com os acionistas privados da TAP, Pedro Nuno Santos admitiu as dificuldades futuras, mas frisou também que a queda da TAP teria "um impacto direto e profundo na economia e no emprego".

Compras milionárias a entidades nacionais
O Governo considera a TAP uma empresa estratégica. Desde logo, por ano, a companhia faz compras de produtos a empresas portuguesas no valor de 1,3 mil milhões de euros. A empresa contribuiu ainda com mais de dois mil milhões de euros para as exportações nacionais. E é um contribuinte relevante em impostos.

Concorrência estabelece reajustamento
“Quando a Comissão Europeia autoriza medidas de ajuda de Estado, isso tem uma contrapartida, que, necessariamente, é haver um reajustamento da empresa, de forma a que não haja uma distorção excessiva da concorrência”, afirmou esta sexta-feira Costa. O Governo vai negociar com Bruxelas o plano de reestruturação da TAP.
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