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Correio da Manhã

Economia
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Isabel dos Santos dá 100 milhões ao BPI

Proposta pode evitar bloqueio na assembleia-geral.
António Sérgio Azenha e Diana Ramos 5 de Janeiro de 2016 às 08:53
Isabel dos Santos tem 25% do capital da empresa, que ofereceu 140 milhões de euros por 10% do BFA. O BPI,  liderado por Fernando Ulrich, tem de reduzir  a sua exposição aos  ativos africanos por  imposição do BCE
Isabel dos Santos tem 25% do capital da empresa, que ofereceu 140 milhões de euros por 10% do BFA. O BPI, liderado por Fernando Ulrich, tem de reduzir a sua exposição aos ativos africanos por imposição do BCE FOTO: Pedro Catarino
O BPI valorizou esta segunda-feira cerca de 100 milhões de euros em bolsa com a proposta da Unitel, empresa angolana detida em 25% por Isabel dos Santos, para comprar 10% do capital social do Banco Fomento Angola (BFA) por 140 milhões de euros. A proposta da empresa da filha do presidente de Angola irá ser analisada pela administração do BPI, que tem agora uma segunda alternativa para a redução da exposição ao risco africano imposta pelo BCE.

Na sessão bolsista desta segunda-feira, as ações do BPI dispararam 6,32%, atingindo uma cotação de 1,16 euros por ação. Num dia marcado pela queda nas bolsas mundiais, os títulos do banco registaram a maior valorização desde 1 de outubro de 2015.

Para esta valorização do BPI contribuiu, segundo os analistas, a proposta de compra de 10% do BFA apresentada pela empresa que tem como acionista Isabel dos Santos. Se esta proposta for aceite, o BPI reduzirá a sua posição no BFA de 50,1% para 40,1%.

Para já, o conselho de administração do BPI vai reunir-se em breve para analisar a proposta de Isabel dos Santos. Já antes, em comunicações enviadas ao mercado, o banco tinha dado a entender que se surgisse uma proposta alternativa à cisão dos ativos africanos iria apreciá-la.

"Até aqui, não havia uma proposta alternativa do lado angolano. Havia uma manifestação pública de desacordo, mas não havia uma alternativa. Há agora um período de negociação que se inicia", explicou ao CM fonte conhecedora do processo. Ao que o CM apurou, a posição de Isabel dos Santos é vista como um avanço face à postura inicial da empresária, já que a simples rejeição da proposta de cisão – defendida desde o início pela Unitel – acabaria por resultar num bloqueio da segunda maior acionista à proposta da administração, que será votada a 5 de fevereiro.

Segundo fontes do setor financeiro, a administração do BPI irá agora avaliar se a proposta da Unitel responde às imposições do BCE, que quer ver o BPI diminuir a exposição ao risco angolano. A operação de cisão visa retirar da alçada do BPI a participação de 50,1% no BFA, passando essa participação para uma sociedade africana autónoma.
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