Grupo da família Silva diz que quis entregar os negócios à Gant, mas esta não aceitou.
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Foi um braço de ferro com a marca de vestuário Gant que atirou a Ricon, fábrica da família Silva e um dos motores da indústria têxtil da zona do Ave, para a insolvência. O grupo agora gerido pelo irmão Pedro Silva, e que emprega cerca de 600 pessoas, tem dívidas acumuladas de 39 milhões de euros e entregou na segunda-feira aos trabalhadores as cartas com o anúncio do despedimento.
No documento entregue aos trabalhadores, Pedro Silva afirma que "foi proposto à Gant que poderia assumir o controlo direto de algumas empresas" da família Silva, apresentados "investidores interessados" e uma "proposta de reestruturação da dívida", mas nada a demoveu. Os credores votam esta terça-feira e amanhã a liquidação da empresa.
Além da fábrica que tinha como maior cliente a Gant, a Ricon, geria também as 20 lojas no País da marca de vestuário. A família Silva chegou a investir no futebol, com o irmão Rui Silva – fundador da Ricon – a aplicar milhões no Trofense. Entrou no negócio da aviação privada com a Everjets e deteve os centros da Porsche no Norte do País. Em 2008, Pedro comprou 100% da Ricon ao irmão. E à medida que o passivo do grupo foi crescendo, foi vendendo participações, como aconteceu com a Decénio, que alienou ao grupo dono da Lion of Porches.
Na segunda-feira, à porta da fábrica, a desolação dos trabalhadores era patente. "Nunca pensei que fosse este o desfecho", diz ao CM Amélia Amorim, na empresa há 35 anos. "O trabalho era menor. Mas nunca estivemos parados. O problema foi a má gestão da empresa", acusa a operária. As oito empresas da Ricon e as 20 lojas da Gant deverão fechar definitivamente amanhã. No processo de insolvência são 772 os credores com dívidas de 39,3 milhões de euros. O Santander Totta é o maior credor, com 9,8 milhões herdados do Banif, seguem-se o BPI (4,1 milhões), o Novo Banco (3,6 milhões) e a CGD (1,3 milhões).
Operários ainda acreditam na salvação da Ricon
O administrador judicial do Tribunal de Famalicão defende a liquidação das oito empresas do Grupo Ricon. Os credores votam hoje e amanhã o encerramento das empresas numa assembleia em que os funcionários garantem estar presentes. "Pode aparecer um novo investidor e salvar a empresa", disse Mónica Vilaça, operária que vai passar as noites e dias em frente ao Grupo Ricon.
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