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Correio da Manhã

Economia
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25 mil restaurantes sem dinheiro para as contas

Fim das férias dos portugueses e o menor uso de esplanadas vão prejudicar os balanços.
Wilson Ledo 5 de Setembro de 2020 às 08:58
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25 mil restaurantes sem dinheiro para as contas
Um em cada três restaurantes (34%) admite não ter dinheiro para pagar salários, serviços ou a fornecedores já em setembro. A perspetiva é traçada por um estudo da AHRESP, que comprova que a maior dinâmica do verão não foi suficiente para estabilizar as contas das empresas. Assim, num país com cerca de 75 mil restaurantes, haverá 25 mil em verdadeira asfixia financeira.

A maior associação do setor fala de uma faturação “devastadora” em agosto, com sete em cada dez restaurantes a registarem quebras acima dos 40%. É esperado que esse cenário se agrave ainda mais com o fim das férias dos portugueses e o menor uso de esplanadas no outono e inverno: em setembro, cerca de duas em cada 10 empresas estimam perdas acima dos 75%, em comparação com o mesmo mês de 2019.

Apesar da maior procura nacional no verão, fechar portas continua a ser cenário em mente para 38% dos restaurantes, em linha com o estudo anterior. A insolvência mostra-se o caminho a seguir perante a incapacidade de cobrir as despesas fixas. Por exemplo, em agosto, 19% das empresas não conseguiram pagar salários ou fizeram-no de uma forma parcial.

O corte na mão de obra é uma realidade no setor, com 14% dos restaurantes a confirmarem já terem feito despedimentos. Um em cada quatro reconhece que não conseguirá manter todos os empregos até ao final do ano.

Mais de metade das empresas da restauração já recorreu aos novos apoios do Estado para manter empregos bem como ao financiamento bancário, que não se estão a mostrar suficientes para lidar com as quebras na procura. Ao CM, a secretária-geral da AHRESP, Ana Jacinto, tinha já insistido na urgência de novas medidas por parte do Estado para responder a este período de outono e inverno, como a reposição do layoff simplificado ou a descida do IVA.

Quatro em cada dez (41%) hotéis ou alojamentos esperam ficar vazios ou ter uma ocupação até 10% em setembro. Em agosto, mês de eleição para férias, esse bolo fixou-se nos 28%. Uma proporção semelhante de empresas, 27%, reconheceu já não conseguir pagar salários ou tê-lo feito de forma parcial no mês passado. Perante este cenário de dificuldades, a insolvência é a opção indicada por 16% do setor.
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